Entrevista do Presidente da Junta de Freguesia de Arcozelo

José Monteiro da Silva

J.A. – Valorize o sector primário e o turismo dessa freguesia?
P.J.- Arcozelo é uma freguesia maioritariamente urbana onde o setor primário não tem muita expressão.

J.A-O que pensa sobre a violência doméstica, e das medidas recentemente tomadas, contra este flagelo.
P.J.- A violência doméstica é um flagelo da nossa sociedade. Sabemos que sempre existiu mas hoje em dia estamos todos mais alerta para esta situação. É um crime público e todos temos obrigação de denunciar qualquer situação que nos seja conhecida. Hoje em dia há mais informação e mais proteção para as vítimas, como por exemplo o estatuto de vítima, as casas abrigo, o apoio jurídico, entre outros apoios que nos devem encorajar a denunciar as situações pois há proteção para as vitimas. Sabemos que estes períodos de isolamento podem potenciar as situações de violência doméstica e louvamos a criação de uma linha em que as vitimas podem fazer denúncias por SMS (3060). Aqui no nosso território, louvamos o trabalho de algumas instituições, nomeadamente o GASC no apoio que dão às vítimas de violência doméstica.

J. A. – O que pensa sobre a violência gratuita que se está a gerar na nossa sociedade?
P.J.- A violência por vezes espelha a situação social e económica que atravessamos. Problemas como o desemprego, a falta ou quebra de rendimentos, as más condições habitacionais, a precariedade laboral, tudo isto contribui para o desenvolvimento ou para o acentuar destas situações. Na minha opinião deve-se investir na formação pessoal e social dos jovens para que consigam lidar com as frustrações e jamais desvalorizar as questões da saúde mental que é uma área bastante desvalorizada e para a qual há poucas respostas.

J. A. – Estando a população cada vez mais envelhecida e muita dela sem apoio familiar e recursos financeiros, que apoio presta a autarquia a esta realidade?
P.J.- Esta Junta de Freguesia sempre apoiou a população sénior. Antes da pandemia tínhamos cerca de 150 seniores a frequentar as nossas atividades (Música, Yoga, Oficina da Memória, AtivaMente, Hidroginástica e Ginástica). A vantagem é que as pessoas não estão institucionalizadas e têm alguma autonomia. Então selecionam as atividades que querem frequentar e, fora desses horários, estão em total autonomia nas suas casas. Sabemos da importância destas atividades na criação de rotinas, na socialização e na promoção da saúde física e mental.
Temos também anualmente um Almoço de Natal para seniores e um passeio anual, para além de festejarmos outras data como por exemplo o São Martinho. Sempre estivemos perto desta população.

J.A.- O que acha das novas medidas tomadas pela Governo para contenção do COVID-19?
P.J.- As medidas são duras mas necessárias. Tememos pelo comércio mas ‘em tempos de guerra não se limpam armas’. Se todos colaborarmos podemos ultrapassar esta situação mais rápido. E todos sabemos que Barcelos tem sido um concelho bastante afetado por este vírus.

J.A.- Devido ã pandemia que se instalou no Mundo, originando falta de recursos na população, a todos os níveis, relate a situação na sua zona.
P.J.- Barcelos é um concelho de risco extremamente elevado há várias semanas consecutivas, o que originou que as medidas decretadas pelo governo fossem sempre as mais duras. Na Junta de Freguesia de Arcozelo sempre apoiamos a população e nesta altura esse apoio foi reforçado. Apoiamos também as Instituições e Associações com oferta de máscaras, gel desinfetante ou outros equipamentos de proteção individual para as escolas por exemplo.

J.A.- Que apoios têm recebido do governo para colmatar esse flagelo, e qual o apoio dado às vítimas do mesmo?
P.J.- Recebemos apenas apoio da Câmara Municipal de Barcelos com a oferta de mais de dez mil máscaras comunitárias para distribuir pelos Arcozelenses.

J. A. – Qual o maior problema com que essa freguesia se debate?
P.J.-Arcozelo foi uma freguesia que beneficiou de um crescimento muito rápido mas com alguns atropelos urbanísticos. Hoje pagamos essa fatura. Posso destacar muitos passeios danificados, alguma falta de civismo na gestão dos resíduos urbanos, como por exemplo a colocação de ‘monstros’ domésticos junto aos contentores de lixo comum, falta de limpeza de alguns terrenos privados, temos também algum vandalismo gratuito e o problema dos dejetos caninos nos espaços públicos. Lidamos também com o problema do tráfico de droga em alguns pontos da freguesia e com a falta de estacionamento em algumas zonas.

J. A. – Que outros problemas necessitam de maior intervenção?
P.J.- Diria tráfico de droga, vandalismo, passeios danificados devido a estacionamentos abusivos, criação de estacionamento em locais estratégicos…

J. A. – Que perspectivas tem para o futuro da freguesia?
P.J.- Nós nunca paramos de imaginar uma freguesia melhor. ‘O homem sonha, a obra nasce’. Nós sonhamos e criamos. Neste momento estamos a ultimar um parque infantil num local bastante improvável que estava completamente degradado. Estamos atentos às necessidades da população e tentamos responder. Não descartamos a hipótese de criar mais estacionamento, ou de melhorar as infraestruturas já existentes. Também temos em perspetiva instalar dispensadores de sacos para recolha dos dejetos caninos para tornarmos a freguesia mais limpa, por exemplo.
Uma obra que gostaria de fazer seria a ponte entre Arcozelo e Tamel São Veríssimo. Mas com muita pena minha presumo que devido à envergadura da obra tenhamos que deixar esse projeto para o Município.

J. A. – Qual a mensagem que leva às mais variadas reuniões e eventos? E porquê investir nessa freguesia?
P.J.-A mensagem que eu levo é que nunca deixo ninguém para trás. Esta Junta de Freguesia sempre tentou ajudar toda a gente dentro das suas possibilidades. Se não pudermos resolver os problemas, temos uma rede que nos permite encaminhar as questões para outras entidades capazes de resolver esses problemas. As boas relações que fomos construindo com as diversas entidades ao longo dos anos permite-nos recorrer a elas em qualquer circunstância

J. A. – Como é a situação financeira dessa freguesia?
P.J.- Sempre houve uma gestão rigorosa dos dinheiros públicos desta freguesia. Quando é necessário fazer alguma obra, primeiro certificamo-nos de que temos possibilidade de a pagar com brevidade, só depois avançamos. Contamos também com o apoio imprescindível da Câmara Municipal de Barcelos que nos apoia em muitas situações.

J. A. – Qual o apoio que a Câmara presta às Juntas de Freguesia?
P.J.- Financeiramente a Câmara Municipal de Barcelos presta um apoio importantíssimo a todas as freguesias do concelho de Barcelos através do Protocolo 200% o que dá uma autonomia sem precedentes a todas a freguesias. Além disso, apoia também pontualmente outros projetos sempre que se justifique. Mas não é só a nível financeiro que a Câmara Municipal Apoio esta freguesia. Estamos em constante contacto com alguns técnicos que nos apoiam na resolução de problemas de várias ordens.

J. A. – Que mensagem quer enviar à população da sua freguesia?
P.J.- Neste momento quero enviar uma mensagem de esperança relativamente à pandemia. Quero aconselhar as pessoas a se protegerem, a reduzirem contactos e a pedirem ajuda se necessário.

J. A. – Como consegue gerir a absorvente vida de autarca com a vida familiar?
P.J.- A vida de autarca é de facto absorvente. No meu caso, tenho a sorte de a minha família mais próxima me apoiar incondicionalmente nas minhas opções, o que facilita em muito a minha entrega à vida política. Mas não nego que saiam prejudicados com a minha ausência em algumas situações.

J. A. – Que mensagem quer deixar ao Jornal das Autarquias?
P.J.- Sabemos que também a imprensa local atravessa um momento delicado. Esperamos que continuem a chegar às pessoas e que consigam ultrapassar as dificuldades.

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