JORNAL DAS AUTARQUIAS

Inscrito na E.R.C. sob o nº 125290

Outubro 2019 - Nº 144 - I Série - Braga e Viana do Castelo

Braga e Viana do Castelo

Entrevista ao Presidente da câmara municipal de vila nova de Cerveira

Fernando Nogueira

J.A.- Que conclusões dos últimos resultados das eleições Europeias?
A leitura que faço dos resultados das últimas eleições europeias é a de que, lamentavelmente, os cidadãos não valorizam as questões da Europa e o envolvimento que devemos ter nas grandes temáticas europeias e que são tão importantes como as causas nacionais; este resultados demonstram também um desencanto e distanciamento cada vez maior dos cidadãos para com este sistema partidário.

J.A.- Valorize o sector primário e o turismo desse concelho?
Com um forte potencial turístico, derivado das riquezas naturais da região e do património cultural cimentado por anos de história, Vila Nova de Cerveira apresenta-se como um dos destinos com maior potencial nesta área. O crescimento turístico da região carece ainda da concretização de alguns projetos, de mais investimento e de uma maior oferta hoteleira. No caso concreto, Cerveira pode crescer porque tem dois rios maravilhosos, tem montanha com trilhos e grande potencialidade para desportos radicais, património histórico e cultural e uma excelente gastronomia. O turismo de natureza é uma potencialidade de Cerveira. Temos simpatia, somos um povo acolhedor. Temos um bom potencial para ainda desenvolver mais esta área.

J.A.-O aumento de desemprego gerou muita pobreza, como está essa autarquia a gerir esse problema?
Felizmente, e apesar dos ciclos de crise, Vila Nova de Cerveira tem conseguido manter um nível de desemprego bastante abaixo da média nacional, o que contribuiu para que o flagelo da pobreza extrema não se fizesse sentir de forma tão acentuada. Em Vila Nova de Cerveira não se pode falar de falta de emprego, mas sim falta de mão de obra. Das reuniões que vamos estabelecendo com empresários, a principal queixa tem que ver com a falta de mão de obra.

J.A-O que pensa sobre a violência doméstica, que ultimamente tem aumentado drasticamente, no nosso país, e qual a causa/efeito?
A violência doméstica é um flagelo com antecedentes históricos e culturais e cuja resolução não se limita à repressão legal. Há todo um conjunto de fatores que, numa sociedade moderna em que vivemos, devem ser trabalhados e implementados como a igualdade de oportunidade dos géneros (cultural e financeira), assim como uma maior sensibilização para a integração na sociedade.

J.A.- A delinquência infantil tanto no meio urbano como no escolar e neste momento uma infeliz realidade. Fale-nos sobre esta situação
Felizmente, o concelho de Vila Nova de Cerveira não regista casos significativos de delinquência infantil, graças a um conjunto de associações que promove um trabalho de proximidade e interventivo de forma a enquadrar as crianças e jovens num percurso integrado e consonante com a sociedade. Há ainda a reforçar uma forte política escolar de alerta e de trabalho de sensibilização junto dos alunos.

J.A.- Estando a população cada vez mais envelhecida, e muita dela sem apoio familiar e recursos financeiros, que apoio presta a autarquia a esta realidade?
O Município de Vila Nova de Cerveira, através da sua Rede Social, tem implementado medidas e ações mais direcionadas para cada faixa etária, mas com o mesmo denominador comum: fomentar a justiça social e uma maior igualdade de oportunidades. Entre as várias respostas sociais, destacamos algumas: Colocando os mais recentes avanços tecnológicos à disposição de um serviço de qualidade no apoio social, saúde e segurança da população idosa mais carenciada e isolada do concelho através de uma aplicação móvel, a autarquia disponibiliza desde 2019, com atualização em 2016, o serviço de tele alarme. Trata-se de um projeto de proximidade que visa oferecer uma resposta mais adequada às necessidades dos idosos que vivem em situação de isolamento geográfico e/ou social, promovendo a continuidade da inclusão da pessoa idosa no seu meio habitual de vida. O Cartão Idade + que facilita o acesso a determinados serviços municipais e atribui benefícios sociais, culturais e de saúde aos idosos e pensionistas por invalidez economicamente mais carenciados, nomeadamente: comparticipação de medicamentos; maior acesso às iniciativas e programas que visam a promoção do envelhecimento ativo organizados pela Câmara Municipal; desconto no pagamento do consumo de água, saneamento e tarifas de lixo para fins domésticos; entre outros; o projeto Casa Nova que consiste na intervenção em habitações de agregados familiares mais vulneráveis que visa apoiar obras de pequena dimensão que contribuam para a melhoria da qualidade de vida no dia-a-dia; e ainda o Programa do grupo de trabalho ‘Dar Vida Aos Anos’ formado por cinco instituições particulares de solidariedade social (IPSS) do concelho e pela Câmara Municipal que promove respostas socias para a terceira idade, nomeadamente mais espaços de participação para os idosos, fomentar intercâmbios entre as instituições e valorizar o cidadão idoso através da sua integração nas diversas atividades dinamizadas ao longo do ano. Neste momento, estamos a trabalhar com a GNR na criação de uma patrulha de proximidade que realize visitas domiciliárias, no sentido de apoiar os idosos mais isolados.

J.A.- Com a aproximação do tempo quente, Verão, que tipo de prevenção utilizada para minimizar danos como os que aconteceram em anos transactos?
À semelhança do praticado em 2018, a Câmara Municipal de Vila Nova de Cerveira, através do Serviço Municipal de Proteção Civil, tem realizado, ao longo dos últimos meses, um conjunto de intervenções e ações no concelho e em cooperação municipal, de forma a prevenir o risco da ocorrência de incêndios florestais e a salvaguarda da segurança e bem-estar de pessoas e seus bens. Vimos finalmente aprovado, no corrente ano, o Plano Municipal Contra incêndios, continuamos a apoiar as instituições ligadas à proteção Civil, promovemos diversas ações de sensibilização junto da população, e temos realizado ações de fogo controlado, limpeza florestal, e intervenção em caminhos florestais previamente identificados como fundamentais. Estamos ainda a dinamizar uma parceria supramunicipal única, que se trata da concretização do primeiro Centro Intermunicipal de Proteção Civil do país, a ser instalado junto ao Aeródromo do Alto Minho – Cerval, prevendo-se uma candidatura conjunta com municípios vizinhos a fundos comunitários.

J.A.- Que apoios têm recebido do governo para colmatar esse flagelo, e qual o apoio dado às vítimas do mesmo?
Por se tratar de um flagelo transversal a todo o território, e com particularidades no Alto Minho, temos estado em consonância com as restantes autarquias da região.

J.A.-Qual o maior problema com que esse concelho se debate?
Creio que à semelhança do que acontece nos concelhos alto-minhotos, e em particular nas freguesias mais de interior, o maior problema é o envelhecimento da população, a baixa natalidade e a consequente desertificação do território. Existem vários fatores que podem estar na génese deste flagelo, alguns até com décadas, desde logo a maior vontade de aproximação dos jovens aos grandes centros urbanos por razões profissionais, de melhores condições de saúde ou de maior oferta cultural e lúdica. Todo este cenário surge agravado na última década com o fenómeno de emigração de jovens à procura de uma melhor sustentabilidade para a sua família.

J.A.-Que outros problemas necessitam de maior intervenção?
Vila Nova de Cerveira depara-se com dois problemas, cuja resolução não é imediata, mas tem de ser pensada e definida. Uma das carências é habitação, quer para arrendamento, quer para aquisição própria, sobretudo para jovens, a preços controlados, o que nos permite instalar ainda mais empresas e ter mais postos de trabalho. Outro setor que nos preocupa é o hoteleiro, pois temos crescido em termos de turismo, à semelhança dos nossos vizinhos e do país em geral, mas estamos com a nossa capacidade hoteleira e de alojamento esgotada. Havendo um evento grande não temos como dar resposta. Sei que construir hotéis não é missão do Município, mas queremos incentivar os privados a fazê-lo. Queremos procurar parcerias, incentivar privados e passar a mensagem. Precisávamos urgentemente de um hotel no mínimo com 100 quartos e de ter operacional a concessão do Castelo de Cerveira para fins de restauração e hotelaria, ao abrigo do Programa REVIVE lançado pelo Governo.

J.A.-Qual a mensagem que leva às mais variadas reuniões e eventos? E porquê investir nesse concelho?
Partindo da premissa de que a atividade política só faz sentido como projeto coletivo ao serviço do bem comum, as pessoas estão no centro das prioridades, por isso a nossa gestão está centrada nas pessoas e a adoção de uma política de baixa fiscalidade foi uma opção imediata, de forma a incentivar uma maior equidade social e justiça fiscal. Vila Nova de Cerveira é, efetivamente, um concelho atrativo em diversas áreas, por isso qualquer investimento tem uma garantia de futuro.

J.A.- A câmara municipal tem algum tipo de parcerias e protocolos com instituições de ensino? Em que áreas e como se desenrolam esses protocolos?
Temos estabelecido protocolo de cooperação entre a Fundação Bienal de Arte de Cerveira e a Escola Superior Gallaecia na vertente artística; com o IPVC ao nível de transportes de alunos com o bus académico; e ainda com a ETAP Cerveira através do apoio logístico à realização dos mais diversos trabalhos de aptidão profissional.

J.A.-Como é a situação financeira da autarquia?
A atuação do executivo que, orgulhosamente, lidero sustenta-se numa gestão equilibrada e progressista, baseada numa estratégia de otimização de recursos e numa política de desenvolvimento do concelho. Apresentamos uma situação financeira estável, perfeitamente sustentável, com um índice de endividamento líquido muito abaixo dos limites legais definidos, apesar da existência de um endividamento bancário a médio/longo prazo para o qual reunimos esforços de forma a diminuir ano após ano.

J.A.-Qual o apoio que a câmara presta às juntas de freguesia?
Para além do apoio logístico disponibilizado, a Câmara Municipal de Vila Nova de Cerveira procede à transferência anual de verbas de forma a que as freguesias possam implementar as competências próprias, assim como a execução de intervenções diretas mas sempre com a consonância prévia das freguesias, mediante os interesses dos seus habitantes.

J.A.-Que mensagem quer enviar à população do seu concelho?
Somos um concelho valioso pela sua identidade, história e património, mas acima de tudo pelo caráter lutador, corajoso e arrojado das nossas gentes. Temos de saber reconhecer, valorizar e potenciar esse trabalho em prol de uma comunidade cada vez mais forte e unida, com visão de futuro. O executivo que me acompanha tem-se dedicado, de alma e coração, em prol do bem-estar e qualidade de vida desta nossa comunidade, auscultando e resolvendo os problemas locais.

J.A.-Como consegue gerir a absorvente vida de autarca com a vida familiar?
Apesar de ser sempre uma gestão difícil, qualquer autarca que se candidata a este compromisso em prol do serviço público já sabe que é 24 horas, 7 dias por semana, 365 dias por ano. Tenho a felicidade de te ruma família que me apoia e que, ao longos destes anos enquanto vereador, vice-presidente e agora presidente conseguiu adaptar-se às exigências do cargo.

J.A.-Que mensagem quer deixar ao Jornal das Autarquias?
Uma mensagem de esperança e de continuidade na transmissão de informação, esclarecimento de dúvidas e criação espaços de interação com os leitores, com esta singularidade de ser um jornal que se dedica ao poder local que, com imenso esforço, contribui e muito para o bem-estar social do nosso país.
A pluralidade, a abrangência e a organização de conteúdos realizados com muito profissionalismo são aspetos que relevo, pois permitem uma leitura diversificada, isenta e, principalmente, de qualidade.

Fernando Nogueira

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