Entrevista do Presidente da Câmara Municipal de Terras de Bouro

Manuel Tibo

J.A. Valorize o sector primário e o turismo desse concelho.
P.C. Terras de Bouro é um concelho eminentemente voltado para o turismo nas suas diversas vertentes: -Turismo de montanha, paisagístico, termal, aquático, de lazer e religioso.
É evidente que as actividades que se desenvolvem à volta destas diversas vertentes de turismo estão, desde longas décadas, contidas pela sazonalidade prevalecente e sujeitas à pressão que se verifica entre os meses de maio e outubro, quer na visitação e fruição de espaços, quer na procura de acolhimento e estadias.
O Turismo termal tem aqui um particular relevo e importância, pois, para além dos tratamentos que são disponibilizados aos aquistas, nas centenárias águas termais do Gerês, de reconhecidos benefícios para a saúde, também há toda uma actividade hoteleira que lhe está associada e que inclui um ritual de ementa alimentar que lhe incute uma mística especial.
O turismo religioso, também tem particular significado, pelos milhares de peregrinos que se dirigem ao Santuário de S. Bento da Porta Aberta, fazendo deste local, o segundo centro de peregrinação de Portugal.
A par de toda a dinâmica do turismo, não deixamos de perder as raízes de um concelho rural com uma agricultura que, sendo de subsistência, ajuda na sustentação das famílias e, particularmente, na criação de gado bovino, mantendo-se as ancestrais tradições na organização das vezeiras.
O gado caprino também tem alguma expressão na economia local, sendo de salientar o cabrito biológico da serra do Gerês e a cabra na aldeia comunitária da Ermida, com o prato de chanfana que já é uma referência da gastronomia local.
O corte e exploração de madeiras, é outro sector primário, que constitui uma mais valia na economia deste concelho.

J.A. O que pensa sobre a violência doméstica, e das medidas recentemente tomadas, contra este flagelo.
P.C. Não posso ter outro pensamento que não seja de condenação dessas atitudes e de apoio às medidas recentemente tomadas.
Sendo este um dos crimes que mais mata no nosso País é necessário que os diversos poderes se articulem e que a justiça seja célere para atacar e resolver estes problemas.
É certo que, sendo cada caso um caso, as problemáticas que lhe estão associadas acabam por muitas vezes, não dar grande oportunidade de se saber ou conhecer os meandros das situações.
Todos temos consciência da complexidade das vivências sociais e de quão estranho é o ser humano na relação social e familiar, mas também temos que assumir que a nossa responsabilidade para denunciar, sobre o que sabemos e conhecemos, não pode ser relaxada.
Ao nível deste Município a Acção Social está muito no terreno e procura sinalizar as situações que lhe vão surgindo.

J.A. Estando a população cada vez mais envelhecida, e muito dela sem apoio familiar e recursos financeiros, que apoio presta a autarquia a esta realidade?
P.C. Temos plena consciência da realidade que se vive nos territórios com alguma interioridade, como o nosso, e que, incontornavelmente, são considerados de baixa densidade porque a população escasseia, quer pelo desaparecimento natural dos habitantes, quer pela saída dos mais novos que procuram melhores condições de vida noutras paragens.
Os idosos têm aqui um bom apoio social com sete Instituições de Solidariedade Social que prestam um bom serviço através do acolhimento nas ERPI,s e do Serviço de Apoio Domiciliário.
A Câmara ao apoiar estas instituições com subsídios para melhorar e ampliar essas obras sociais, está a apoiar cada idoso em particular e as famílias no geral.
Contudo, quando surge alguma situação que merece ser acompanhada e apoiada, nós nunca deixamos de o fazer através do Gabinete de Acção Social.

J.A. O que acha das novas medidas Tomadas pelo Governo para contenção do COVID19?
P.C. Nos tempos que vivemos é difícil para qualquer Governo ter a capacidade suficiente e a lucidez bastante para tomar as medidas mais adequadas para combater a doença e manter o país na rota certa.
Dito isto, e tendo em consideração que a medida do confinamento deveria ter ocorrido mais cedo, poderemos dizer que o governo tem feito o que pode e que tem procurado, conjuntamente com o senhor Presidente da República e ouvindo a oposição, tomado as medidas que parecem as mais certas para cada momento.

J.A. Devido à pandemia que se instalou no mundo, originando a falta de recursos na população, a todos os níveis, relate a situação na sua Zona.
P.C. O Novo Coronavírus – COVID19, é uma doença grave que a todos nos surpreendeu. Pela facilidade de contágio, grau letal e ainda sem medicação que a possa combater de forma eficaz, constitui para a comunidade cientifica mundial e para todos aqueles que são infectados, um verdadeiro drama, deixando transparecer a incapacidade humana de prevenir, controlar e resolver este tipo de problemas que põem em causa a vida dos seres humanos, a sua normal convivência e, por conseguinte, toda a organização social.
Seria quase impensável que, nos tempos que vivemos, com o grau de conhecimento alcançado e os meios sofisticados que existem na área do diagnóstico e tratamento, se pudesse ficar à mercê de um vírus avassalador.
Mas assim é. Este vírus mexeu com tudo, com todos e com o nosso dia a dia.
No nosso Concelho de Terras de Bouro, também temos registado um número significativo de casos.
A vacinação já chegou cá, como no resto do país, mas o ritmo que o processo tem, leva-nos a pensar que demorará bastante a chegar a todos.
Não podemos deixar de referir que em termos de impacto, tal como no resto do país, esta pandemia deixará o seu rasto. Desde logo naquela que é a nossa principal actividade, o TURISMO e em toda a dinâmica que lhe está associada.
A incerteza que ainda existe quanto ao futuro e a temeridade latente do que ainda possa acontecer, não permite que se programe nada e, pelo contrário, até as acções ou iniciativas que estavam planeadas acabam por ir sendo desmarcadas ou adiadas.

J.A. Que apoios têm recebido do Governo para colmatar esse flagelo e qual o apoio dado às vítimas do mesmo.
P.C. Até ao momento não recebemos nenhum apoio, sendo certo que o Município já gastou mais de duzentos mil Euros a apoiar as instituições e a desenvolver no território o combate e prevenção da propagação da doença.

J.A. Qual o maior Problema com que o Concelho se debate.
P.C. É difícil eleger um problema, sendo certo que o da água desde a sua captação, condução e distribuição, constitui, num território como este um grande desafio e uma grande canseira.
A limpeza e substituição de reservatórios é um trabalho que tem vindo a ser realizado, mas ainda há um longo caminho a percorrer para que tenhamos um sistema municipal da água que satisfaça e responda a todos os munícipes.

J.A. Que outros problemas necessitam de maior intervenção?
P.C. Vários e diversificados problemas continuam a necessitar de intervenção, desde logo o saneamento, depois as acessibilidades, o património construído, etc.
Contudo, não podemos de deixar de referir que o problema das redes de saneamento, quer em baixa, quer em alta, ainda estão por completar e resolver em grande parte do território concelhio.

J.A. Qual a mensagem que leva às mais variadas reuniões e eventos? E porquê investir nesse Concelho?
P.C. A mensagem que levo é sempre uma mensagem positiva. É dizer que sou Presidente do Concelho mais belo de Portugal, porque aqui fica o único Parque Nacional do nosso País, o Parque Nacional da Peneda Gerês. Referir que aqui se desenvolve uma actividade turística multifacetada em que sobressai o turismo de montanha, de paisagem, de lazer, aquático, termal e religioso.
Estas são razões para vir, para ficar e sobretudo para investir.

J.A. A Câmara tem algum tipo de parcerias e protocolos com instituições de ensino? Em que áreas e como se desenrolam esses protocolos?
P.C. Não, não há protocolos na área do ensino.

J.A. Como é a situação financeira da autarquia?
P.C. A situação financeira da autarquia está controlada, apresentando hoje uma boa capacidade de endividamento, mas que só é usada, ou só será usada se for mesmo necessário, ou seja, se for para fazer face a despesas em áreas que constituam necessidades básicas das populações.

J.A. Qual o apoio que a Câmara presta às Juntas de Freguesia?
P.C. Esta Câmara tem tido com as juntas de freguesia uma cooperação extraordinária. Só assim é possível ir ao encontro daquelas que são as principais necessidades das populações, porque são as juntas de freguesia que sabem, qual é o muro que querem fazer, o caminho que é preciso pavimentar, a estrada que ainda faz falta abrir etc., etc.
Tudo isto é feito em perfeita sintonia, sendo ano após ano realizada a programação das intervenções que ficam logo plasmadas nas grandes opções do plano e investimento da Câmara Municipal.

J.A. Que mensagem quer enviar à população do seu Concelho?
P.C. Uma mensagem de esperança, de confiança e de compromisso.
Dizer-lhes que apesar de estarmos num ano eleitoral, o nosso trabalho está direcionado para o futuro de todos. Que não estamos preocupados com o imediato e disso é prova o volume de obras que estamos a lançar. Que não queremos que olhem para o que fizemos, mas unicamente que reconheçam a coragem e a determinação em fazer mais e segundo aquilo que são as justas aspirações dos Terra-Bourenses.
Dizer-lhes, pessoalmente, que vim para servir e que estou ao serviço de todos.

J.A. Como consegue gerir a absorvente vida de autarca com a vida familiar?
P.C. Quase sempre colocando a vida de autarca à frente da vida familiar.
Mas procurando que a família não se sinta completamente abandonada em função da vida autárquica.
Isto não é fácil de gerir, mas eu já sabia para o que vinha e a família já sabia o que a esperava.
É uma autêntica entrega à causa publica que também conta com o sacrifício e compreensão da família.

J.A. Que mensagem quer deixar ao Jornal das Autarquias.
P.C. É uma mensagem de encorajamento pelo serviço que presta às autarquias.
Pelo contributo que também dá como mensageiro dos que estão na linha da frente das responsabilidades autárquicas.
Também pela possibilidade que propicia com todos os apontamentos noticiosos para quem o lê.
Pelo elo de ligação em que se constitui para autarcas e autarquias.

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