Entrevista do Presidente da Câmara Municipal de Póvoa de Lanhoso

Avelino Silva

J.A.- Valorize o sector primário e o turismo desse concelho?
P.C.- O concelho da Póvoa de Lanhoso tem bem vincados vários sectores de atividade. Apesar da matriz mais rural, temos instaladas empresas de referência no setor têxtil, na extração de pedra e também no setor turístico. Na agricultura temos excelentes produtores de vinho verde com marca e nome no mercado. Acolhemos recentemente um investimento da Casa Ermelinda um dos maiores produtores nacionais. Mas há também tradição na produção animal, representando uma fatia significativa da economia familiar. O turismo de natureza e ambiental tem uma presença forte também, aproveitando as características do concelho. Estamos próximo dos centros de Braga e Guimarães e a caminho do Gerês. Este posicionamento e a oferta de qualidade na restauração e alojamento local tem permitido uma maior valorização do setor do turismo, muito ancorado no maior Parque Aventura da Península Ibérica aqui sedeado. O Castelo e os dois rios, Cávado e Ave, bem como o património religioso e a filigrana são atrativos que despertam curiosidade nos turistas.  

J.A. O que pensa sobre a violência doméstica, e das medidas recentemente tomadas, contra este flagelo.
P.C.- É um problema que nos preocupa e, por isso, temos uma resposta municipal – que foi pioneira quando foi lançada – específica para, por um lado, sensibilizar as pessoas de todas as idades para esta situação, e, por outro lado, para apoiar, num primeiro momento, de forma efetiva, as vítimas. Chama-se SIGO – Serviço para a Promoção de Igualdade de Género e de Oportunidades. Uma sociedade moderna não pode tolerar estes comportamentos existindo ainda um caminho longo a percorrer.

J.A.- Estando a população cada vez mais envelhecida, e muita dela sem apoio familiar e recursos financeiros, que apoio presta a autarquia a esta realidade?
P.C.- Um dos principais problemas que notamos tem mais a ver com o isolamento e com a solidão, desta população. Por isso, exceto nesta fase da pandemia, temos os Centros de Convívio em funcionamento, que, acima de tudo, acompanham os mais velhos no seu dia a dia, proporcionando-lhes atividades de lazer, de partilha e de convívio. Temos também apoios específicos, relacionados com o apoio ao arrendamento e a pequenas obras de melhoria de habitação; com o apoio à compra de medicamentos; com o cartão da Pessoa Idosa; e com outras respostas. Este é um apoio multidisciplinar que envolve todos os agentes da Rede Social que conjuga a psicologia com respostas efetivas que melhoram a vida desta população.

J.A.- O que acha das novas medidas tomadas pela Governo para contenção do COVID-19?
P.C.- É preciso diminuir os contágios, enquanto decorre o processo de vacinação, que é a tal luz ao fundo do túnel. Para isso, a melhor forma é mesmo reduzir os contactos e as mais recentes medidas impostas pelo Governo vão nesse sentido. Mas não podemos cometer erros como os que assistimos no processo de vacinação. O cidadão precisa de sentir que o esforço que está a fazer é coletivo.

J.A.- Devido à pandemia que se instalou no Mundo, originando falta de recursos na população, a todos os níveis, relate a situação na sua zona.
P.C.- Não ficámos imunes, como ninguém ficou. Mas, desde a primeira hora, temos estado atentos e sempre prontos a intervir, juntamente com os parceiros da proteção civil, da saúde, das escolas, das famílias e da comunidade, em geral. Há um desafio muito grande a par da componente sanitária. Esse desafio é segurar a microeconomia do concelho. O comércio, os vendedores ambulantes, os restaurantes, as unidades de turismo familiares… Há um amanhã muito incerto para estes microempresários que não podemos deixar de apoiar.

J.A.- Que apoios têm recebido do governo para colmatar esse flagelo, e qual o apoio dado às vítimas do mesmo?
P.C.- Nós estivemos na dianteira da testagem nos lares e, por exemplo, na disponibilização de meios informáticos para apoiar o ensino à distância. São competência do Governo, mas que em estado de emergência não podíamos aguardar. Foi assumido em vários momentos que existiriam posteriormente compensações, ainda as aguardamos. O nosso papel é antecipar e estar ao lado da população e por isso fizemos esse esforço.

J.A.-Qual o maior problema com que esse concelho se debate?
P.C.- Neste momento, a principal preocupação é, por um lado, controlar a propagação da COVID-19 assim como alavancar a economia local, de forma a manter postos de trabalho.

J.A.-Que outros problemas necessitam de maior intervenção?
P.C.- Tivemos de fazer opções, atendendo a que os recursos das autarquias são limitados. Ao mesmo tempo que continuamos muito atentos aos problemas sociais e às necessidades da educação nesta nova realidade, temos continuado o desenvolvimento do concelho, dentro dos possíveis, melhorando aspetos como o abastecimento de água e saneamento; aumentando a eficiência energética da iluminação pública ou requalificando a rede viária. Temos um desafio grande que é a expensão da Vila e que vai criar uma nova centralidade, eliminando também a pressão rodoviária da sede do concelho. Nas autarquias os desafios e as necessidades são permanentes.

J.A.-Qual a mensagem que leva às mais variadas reuniões e eventos? E porquê investir nesse concelho?
P.C.- As empresas que pretendam instalar-se na Póvoa de Lanhoso podem ter a certeza de que encontram na Autarquia um parceiro importante, que as apoiará naquilo que está ao seu alcance, de forma a encontrar as melhores soluções. A experiência dos últimos anos prova isso mesmo. Tínhamos dois parques industriais desertos, hoje já se constroem novos pavilhões. Há uma relação de proximidade com os investidores que torna o processo vantajoso para todos.

J.A.- A câmara municipal tem algum tipo de parcerias e protocolos com instituições de ensino? Em que áreas e como se desenrolam esses protocolos?
P.C.- Porque entendemos que o ensino profissional é muito importante para termos quadros qualificados, decidimos criar há 25 anos uma escola profissional que tem sido muito importante quer para os jovens quer para os empresários. A par dos agrupamentos de escola, a EPAVE é um parceiro privilegiado.

J.A.-Como é a situação financeira da autarquia?
P.C.- Temos boa saúde financeira. Gerimos com rigor, fazendo investimento sem hipotecar o futuro. Temos vindo a reduzir gradualmente a dívida que herdamos e estamos com prazo médio de pagamento de 6 dias o que revela bem a nossa postura.

J.A.-Qual o apoio que a câmara presta às juntas de freguesia?
P.C.- As Juntas de Freguesia são desafiadas permanentemente a serem nossos parceiros no exercício das competências que ambos temos. Há um trabalho de proximidade que se revela em várias áreas de onde destaco a social, a cultura e as tradicionais obras nas acessibilidades e espaço público. Temos afetado cada vez mais recursos Às Juntas de Freguesia, reforçando a sua autonomia financeira.   

J.A.-Que mensagem quer enviar à população do seu concelho?
P.C.- Acima de tudo uma mensagem de esperança. Estamos todos meios confusos com tudo que nos aconteceu neste último ano. Mas, tal como em outros momentos da nossa história, vamos certamente superar esta pandemia. Até lá, estamos a trabalhar em conjunto com as forças vivas do concelho no sentido de minimizar este flagelo.

J.A.-Como consegue gerir a absorvente vida de autarca com a vida familiar?
P.C.- Não é fácil e implica ajustes. O apoio da minha família é importante, porque sabem que os Povoenses precisam de um Presidente de Câmara focado e empenhado em fazer cada vez mais e melhor. Mas como costumo dizer, ninguém é obrigado a ser Presidente de Câmara e por isso encaro este esforço como uma missão e a recompensa para mim e para a minha família é ver que o concelho está a desenvolver-se.

J.A.-Que mensagem quer deixar ao Jornal das Autarquias?
P.C.- Votos de sucesso e de que continue com o ótimo trabalho que tem vindo a desenvolver, enquanto veículo de divulgação do trabalho das Autarquias do nosso país.

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