Entrevista do Presidente da União de Freguesias de Nogueira do Cravo e Pindelo

Gaspar Almeida

J.A.- O turismo e o sector primário são valorizados nessa autarquia?
PUF- Esta União de Freguesias tem algum potencial turístico, principalmente ao nível dos recursos naturais, que não está a ser devidamente aproveitado devido à falta de apoio a projetos de dinamização desta atividade. O setor primário não é significativo nestas freguesias, dado ser uma zona de considerável implantação de empresas industriais.

J.A-As medidas já tomadas pelo Governo contra a violência doméstica, serão suficientes para atenuar esse flagelo?
PUF- O combate à violência doméstica deve ser uma prioridade em todas as esferas da sociedade e que as medidas tomadas pelo governo devem ser constantemente avaliadas e, se necessário, aprimoradas para garantir melhores resultados. É importante lembrar que a violência doméstica é um problema complexo e que requer esforços conjuntos em diversas áreas, incluindo educação, cultura, saúde, justiça e proteção social.

J.A.-Como encara a violência nas escolas?
PUF- A violência nas escolas é uma preocupação séria que afeta a segurança e o bem-estar de estudantes, professores e funcionários. É importante abordar esse problema de forma abrangente, envolvendo políticas educacionais, medidas preventivas e ações disciplinares adequadas.
Como sociedade, devemos promover uma cultura de paz, igualdade e respeito nas escolas, por meio de programas de educação emocional, resolução de conflitos e combate ao bulling. Além disso, é fundamental fornecer apoio psicológico aos alunos e criar um ambiente seguro e acolhedor.
Também é essencial que as escolas e autoridades estejam atentas para identificar precocemente situações de violência, tomar as medidas necessárias para interromper sua ocorrência e oferecer suporte adequado às vítimas e agressores.
A colaboração entre família, escola e comunidade é fundamental para prevenir e combater a violência nas escolas. Todos, incluindo pais, educadores e alunos, devem se unir para enfrentar esse desafio e criar um ambiente educacional saudável e seguro para todos.

J.A.- Existem cada vez mais maus tratos, tanto em adultos como em crianças, incluindo violações. Quer falar sobre o assunto?
PUF- Infelizmente, a violência e os maus tratos são problemas sérios na nossa sociedade, afetam pessoas de todas as idades e origens. A violência sexual, como as violações, são especialmente graves e podem deixar traumas emocionais e psicológicos duradouros nas vítimas.
Para ajudar a combater a violência e os maus tratos, é importante promover uma cultura de respeito mútuo, igualdade e empatia. As escolas e as famílias podem educar as crianças desde cedo sobre o respeito para com os outros e a importância da comunicação aberta e saudável.
As autoridades devem trabalhar para identificar e punir agressores, bem como fornecer recursos de suporte e cuidados para as vítimas. É importante ter leis rigorosas para crimes sexuais e investir em serviços de saúde e apoio psicológico para pessoas que foram vítimas de violência.
Também é essencial que as vítimas recebam apoio adequado e sejam encorajadas a buscar ajuda, sem medo de julgamentos ou estigma. A denúncia de qualquer tipo de violência é fundamental para proteger as vítimas e prevenir futuros crimes.

J.A.- Como reagiu essa autarquia com a chegada de imigrantes, quais as medidas que foram tomadas. Temos verificado, cada vez mais, o aumento da imigração! Como reage às más condições, de trabalho e sustentação, que os mesmos estão ser tratados?
PUF- A resposta varia dependendo da jurisdição e da autarquia específica em questão. As autoridades têm a responsabilidade de receber e integrar os imigrantes, garantindo que sejam tratados com dignidade e respeito.
Muitas vezes, as autarquias estabelecem programas e serviços para ajudar os imigrantes a adaptarem-se à nova comunidade, incluindo a oferta de orientação sobre direitos, acesso aos serviços públicos básicos e assistência na obtenção de emprego e alojamento adequado.
No que diz respeito às más condições de trabalho e sustentação, é importante que as autarquias trabalhem em conjunto com outras entidades, como sindicatos, organizações sem fins lucrativos e agências governamentais, para garantir que os imigrantes tenham acesso a oportunidades de emprego justas, salários adequados e condições de trabalho seguras.
As autarquias também podem promover a integração social e cultural dos imigrantes, facilitando a participação em programas educacionais, eventos comunitários e atividades de lazer. Além disso, é fundamental que as autarquias estejam atentas às necessidades específicas dos imigrantes, como acesso a serviços de saúde, tradução, interpretação e apoio psicossocial.
É importante lembrar que cada autarquia e região enfrenta desafios diferentes e as medidas tomadas podem variar. O diálogo aberto e a colaboração entre as partes interessadas são fundamentais para lidar com essas questões de maneira eficaz e justa.

J.A.- O que pensa sobre as medidas que o Governo quer implementar sobre o parque da habitação?
PUF- O governo tem apresentado várias medidas para melhorar a situação da habitação em Portugal, incluindo a promoção da construção de habitação social e a recuperação de edifícios públicos abandonados para habitação, bem como incentivos fiscais à reabilitação urbana.
Outra medida anunciada pelo Governo é a criação do Programa de Arrendamento Acessível, que visa facilitar o acesso à habitação por parte das famílias com baixos rendimentos. Este programa prevê a fixação de um teto máximo para valores de renda, incentivos fiscais para proprietários que disponibilizem imóveis a preços controlados e a possibilidade de celebração de contratos de arrendamento com prazo mínimo de cinco anos.
Além disso, o Governo também propôs um novo modelo de atribuição de habitações sociais, que irá dar prioridade aos casos de maior carência habitacional, com base numa escala de avaliação das necessidades dos agregados familiares.
Em resumo, as medidas propostas pelo Governo visam aumentar o parque habitacional disponível, tornando a habitação mais acessível e combatendo a crise habitacional em Portugal.

J.A.- Os preços dos bens alimentares, cada vez estão mais caros. Acha que as medidas tomadas pelo Governo são suficientes?
PUF- O aumento dos preços dos bens alimentares é uma preocupação global e afeta muitos países, incluindo Portugal. O Governo tem implementado várias iniciativas para ajudar a enfrentar essa questão. Por exemplo, o Ministério da Agricultura lançou um projeto de apoio à agricultura familiar e tem incentivado a produção nacional de alimentos. Além disso, o Governo tem adotado medidas fiscais para incentivar a diminuição das importações e o aumento da produção local, que poderá reduzir os preços dos bens alimentares.
No entanto, apesar das medidas tomadas pelo Governo, ainda há muitos desafios a serem enfrentados para conter o aumento dos preços dos alimentos. Fatores como as alterações climáticas, a volatilidade dos mercados internacionais e a pandemia de COVID-19 podem afetar a produção, a comercialização e o preço dos alimentos. Portanto, é necessário adotar políticas públicas integradas e articuladas em diferentes áreas para combater esse problema.

J.A.- Que medidas pensa tomar durante o seu mandato?
PUF- Estar atentos a situações de carência social, encaminhando os casos mais extremos para instituições que atuam nesta matéria. Paralelamente, apoiar as associações de cariz social, estimulando-as melhorando as suas condições para que estas consigam abranger mais utentes.

J.A.- Com a chegada das temperaturas elevadas, quais as medidas que foram tomadas para precaver o flagelo dos incêndios?
PUF- O Governo e outras organizações promoveram campanhas de conscientização pública para educar as pessoas sobre as práticas seguras em áreas propensas a incêndios. Isso inclui informações sobre descarte adequado de cigarros, segurança de queimadas e alertas sobre comportamentos de risco durante períodos de seca.
Existem equipas especializadas que monitorizam áreas propensas a incêndios usando tecnologia, como drones, satélites e torres de observação, para detetar incêndios. Isso permite uma resposta rápida e eficaz. A remoção e limpeza de vegetação seca e criação de corta-fogos, são realizadas para reduzir a acumulação de material combustível e criar barreiras físicas que ajudam a controlar a proteção dos incêndios. Restrições ou proibições temporárias são impostas em relação ao uso de fogo em áreas sensíveis, como queimadas agrícolas ou fogueiras em acampamentos. Além disso, o acesso a certas áreas pode ser limitado durante períodos de alto risco.

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