Entrevista ao Presidente da Câmara Municipal de Oliveira de Frades

Paulo Manuel Robalo da Silva Ferreira

J.A.- Valorize o sector primário e o turismo desse concelho?
P.C.- Oliveira de Frades está integrada na Região de Lafões, que per si, tem características socio-históricas particulares, que se estabelecem numa relação estreita com os concelhos que a constituem e com os seus concelhos limítrofes. Somos um concelho em expansão industrial, mas com raízes no sector primário que se tem desenvolvido e aproximando do despoletar económico para o referido setor. No sector primário, a avicultura tem sido a área de primazia, não fosse Oliveira de Frades a Capital do Frango do Campo. Esta área constitui o suporte das nossas gerações desde a década de 70, tendo-se aprimorado e evoluído para responder às necessidades humanas e tecnológicas.
A par, da avicultura, a agricultura (integrada e biológica) também tem vindo a ser estimulada de entre a população, abrindo portas à geração mais nova com os incentivos europeus para o regresso às origens e à expansão dos diferentes mercados agroalimentares.
No setor turístico, ainda não perdendo a marca e a linha da Região de Lafões, estamos a edificar e a alargar este setor em diferentes valências que o Município tem, não só a nível de património megalítico e histórico, ao nível de percursos pedestres e contacto com a natureza, na gastronomia, nas áreas de lazer, entre outras. Contudo, ainda estamos perante uma estrutura com pouca oferta hoteleira para a atração e fixação de turistas, sendo esta uma área a iniciar a sua expansão com os investimentos nos alojamentos locais.
O sossego da natureza, a segurança, a oferta de serviços em proximidade, a cordialidade das nossas gentes proporciona momentos de prazer e envolvência no nosso concelho.

J.A-O que pensa sobre a violência doméstica, e das medidas recentemente tomadas, contra este flagelo.
P.C.- A violência doméstica é uma área muito sensível e complexa, que se encontra entre o limiar da legislação e as instituições de segurança e proteção pública e o apoio da população. Vivem-se momentos de expressão através da comunicação social das situações de violência doméstica física, que nos apresenta uma realidade oculta e camuflada, muito incutida na sociedade e no papel dos elementos da família, já em situações extremas que releva ainda mais a necessidade de atuar/ter medidas de ação.
Infelizmente existe uma falta de ação da comunidade, o impacto social que a identificação e acompanhamento das situações de violência doméstica tem e que imiscui as pessoas de terem um papel mais ativo. Ademais, existe uma indiferença social face ao outro, estamos menos alerta para a proteção humana, a rede de amizades e familiares alargada reduziu-se ou eliminou-se em alguns casos, a comunidade e a vizinhança deixou de estar presente e de se conhecer. Existe um isolamento que as famílias vivem e um receio da denúncia.
Com esta realidade as medidas são poucas para quem é agredido e demasiadas para o agressor.

J.A.- Estando a população cada vez mais envelhecida, e muita dela sem apoio familiar e recursos financeiros, que apoio presta a autarquia a esta realidade?
P.C.- Oliveira de Frades é um concelho do interiorizado, apesar das infraestruturas existentes. Verificamos que a migração e emigração tem levado os nossos jovens a partirem e deixarem os seus familiares no seu território. As ligações estão cá, contudo a vida profissional e pessoal não permite a presença em permanência ou de maior proximidade. A população idosa isolada tem sido apoiada por projetos próprios de contacto e de informação/esclarecimento desta população em relação a várias temáticas que possam causar dúvida ou burlas. É crucial um apoio a esta população, não só ao nível de saúde e bem-estar, como outras pequenas/grandes ações que podem modificar a sua qualidade de vida, o Município nesta matéria tem um programa própria de apoio em pequenos consertos e arranjos na habitação, Rede de Amigos.

J.A.- O que acha das medidas tomadas pela DGS, para contenção do COVID-19?
P.C.- Fomos um paraíso à excecionalidade, visto que percentualmente o nosso país e o nosso concelho têm uma redução do número de casos face a outros países do mundo. Numa situação de desconhecimento do que era/é a COVID-19 o governo central e local é sempre confrontado com as poucas informações que tem e as incertezas relativamente ao impacto que qualquer medida poderá ter.
Uma ação que por si poderá ter reduzido substancialmente o número de pessoas infetadas pela COVID-19 foi a declaração de alerta com a primeira fase do confinamento, com a resolução do Conselho de Ministros Nº 10-A/2020 e com o Despacho nº 3298-B/2020 do Diário da República. Esta medida permitiu evitar a inicial propagação do vírus, mas sobretudo levar a que a população refletisse e adotasse novos comportamentos para auto e heteroproteção, levando a existir um tempo para compreender melhor o impacto que a pandemia poderia ter no nosso país.
Ainda hoje não é possível conhecer este vírus e quais as reais consequências a nível de saúde, economia, no comportamento social, na realidade das dinâmicas que surgem nas e das pessoas. Não conhecemos plenamente o presente e o futuro são previsões.

J.A.- Com a aproximação do Verão, que tipo de prevenção utilizada para minimizar danos como os que aconteceram em anos transactos?
P.C.- Oliveira de Frades foi deveras devastada pelos incêndios de outubro de 2017, as suas consequências foram elevadas não só para as pessoas que perderam as suas casas, para a natureza que foi dizimada pelas chamas, mas também para a Zona Industrial de Oliveira de Frades teve um grande número de empresas afetadas por estes incêndios. A preocupação na recuperação foi imediata, assim como a preocupação e as ações na sua proteção para evitar casos semelhantes igualmente. Existem já uma faixa de proteção de combustão em torno desta área, que esta em constante manutenção.
O nosso concelho tem uma área florestal e agrícola ampla e dispersa, a manutenção das limpezas preventivas são difíceis. Ademais, a dificuldade de identificação de proprietários, de pequenas e grandes parcelas, aumenta substancialmente o cumprimento das normas para a prevenção contra incêndios. Aliando, a esta caracterização, a desertificação e o abandono das nossas aldeias colocando estas áreas desprotegidas. Não só porque não estão presentes as pessoas mais jovens, e inclusive pessoas em aldeias rodeadas de área florestal, existe, igualmente, uma mudança de hábitos sociais que leva a que as pessoas presentes já não utilizam os produtos florestais que permitiam conservar as nossas florestas e alertar para ações de combustão.
Estamos em pleno verão, com visível impacto das alterações climatéricas que expressam uma variação no tempo entre o extremo calor e chuvas (com a passagem da tempestade Ellen). Estas variações proliferam e propiciam o crescimento de vegetações, que embora previamente limpas, são adubadas e intensificado o seu crescimento, expressando infortunadamente que as proteções das faixas de combustível podem diluir-se rapidamente. Estamos vigilantes e atentos, contudo todos os meios são poucos face à nossa realidade.

J.A.- Que apoios têm recebido do governo para colmatar esse flagelo, e qual o apoio dado às vitimas do mesmo?

J.A.-Qual o maior problema com que esse concelho se debate?
P.C.- Todos os concelhos têm os seus ex-líbris e os seus campos com áreas a aperfeiçoar. De entre a nossa realidade, que está envolta no setor industrial, uma das dificuldades sentidas é a fixação de mão-de-obra qualificada nas áreas tecnológicas de metalúrgica, metalomecânica, madeiras, entre outras. Existe uma necessidade permanente nas nossas empresas em obter esta mão-de-obra e que ela se mantenha.

J.A.-Que outros problemas necessitam de maior intervenção?
P.C.- Fugindo da ótica alargada da caracterização do nosso concelho focamo-nos na estrutura e infraestrutura, ainda há necessidade de melhorar o saneamento nas nossas freguesias para se tornar mais aprazível e melhorar a qualidade a vivência nelas. São investimentos paulatinos, que implicam o levantamento de estruturas existente, mas que estão pensados e desenhados para um suporte progressivo à população.

J.A.-Qual a mensagem que leva às mais variadas reuniões e eventos? E porquê investir nesse concelho?
P.C.- A mensagem que sempre deixo é “Oliveira de Frades, o melhor concelho do mundo!”.
O nosso concelho tem excelentes acessibilidades, estamos em proximidade com o areal de Aveiro e com a montanha, estamos integrados na Região de Lafões com características próprias a nível natural, termal, histórico e social. O nosso concelho tem um alto nível de segurança em comparação com outros similares, temos serviços de proximidade, escolas com condições logísticas e técnicas que aproximam as nossas crianças e jovens, temos uma forte presença e dinâmica associativa, um ecletismo em modalidades artísticas, desportivas, culturais (tendo inclusive ofertas únicas no distrito), a nossa oferta e qualidade nas habitações são vastas, entre outras. O leque de condições de valorização local, está integrada na região e a nível nacional, elevam-nos como “O melhor concelho do mundo!”.

J.A.- A câmara municipal tem algum tipo de parcerias e protocolos com instituições de ensino? Em que áreas e como se desenrolam esses protocolos?
P.C.- O Município de Oliveira de Frades nunca poderá atuar sozinho, o isolamento institucional será sempre o cerrar de olhos à realidade e o fechar de opções na resposta às necessidades da população. Trabalhamos em rede e com parceria com várias instituições educativas, como é o caso do Agrupamento de Escolas de Oliveira de Frades e outras instituições do distrito para a educação e formação (como IEFP, o Centro de Promoção Social de Carvalhais, Centro Qualifica de Castro D´Aire, etc.), com IPSS (como a ASSOL, a Misericórdia Nossa Senhora dos Milagres, o Centro Social e Paroquial de São João da Serra), as Associações do concelho, entre outras entidades com as quais temos projetos a decorrer para apoiar crianças, jovens e adultos na sua educação e formação (académica, artística, desportiva, social).

J.A.-Como é a situação financeira da autarquia?
P.C.- A melhor do país! A melhor expressão disso é que temos uma taxa de endividamento muito baixa, pois estamos com prazos de pagamento ao dia aos fornecedores ao dia.

J.A.-Qual o apoio que a câmara presta às juntas de freguesia?
P.C.- O Município de Oliveira de Frades existe como um todo, sendo que as partes não podem ser divisíveis, as Freguesias e Uniões de Freguesia têm tido um apoio deste Executivo muito alargado, não só ao nível de verbas mas especialmente e também em relação às obras executas em cada uma. Os apoios atribuídos têm sido diretos e indiretos, melhorando a qualidade de vida das suas gentes. O desenvolvimento de uma relação de proximidade tem permitido a partilha das necessidades e das dificuldades, originando esforços em conjunto nas respostas à população.

J.A.-Que mensagem quer enviar à população do seu concelho?
P.C.- Acima de tudo gostaria de dizer que juntos conseguiremos promover e melhorar o nosso concelho, o NOSSO é único, Oliveira de Frades é de todos e mais o será quando o valorizamos.
Todos nós somos Oliveirenses, que vivemos cá, não devendo só os agentes eleitos a promover e a valorizar. Todos somos e temos Oliveira de Frades em si, do melhor e do a melhorar.

J.A.-Como consegue gerir a absorvente vida de autarca com a vida familiar?
P.C.- Um autarca quando assume o compromisso de se candidatar tem noção que assume uma responsabilidade de 24horas sobre 24horas, disponibilizando-se para servir o próximo, Antes de ser Presidente a exposição existia, após assumir o cargo essa exposição é constante e em diferentes campos, no presencial e virtual. Quando a decisão é assumida a família é envolvida e também assume o compromisso, não existindo uma simbiose entre os dois setores mas existe uma medida por preencher. Estamos cientes que não seremos perfeitos, nunca o seremos, mesmo na função de autarca e no nosso papel familiar, contudo seria impensável e excruciante de percorrer o caminho sem o suporte familiar.

J.A.-Que mensagem quer deixar ao Jornal das Autarquias?
P.C.- O Jornal das Autarquias uma tarefa importantíssima que é aproximar as pessoas às Autarquias, dar a conhecer e perceber o que são, como funcionam e qual o estado da arte para que seja mais fácil chegar elas. Reduzir barreiras que a falta de comunicação proporciona é crucial para que seja possível a partilha, a emancipação e a projeção dos diferentes concelhos, equilibrando os de pequenas dimensões e os de larga escala, todos explanados num mesmo jornal.
Desejo elevados sucessos para um jornal expressivo de louvores das gentes do nosso país.

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