JORNAL DAS AUTARQUIAS

Inscrito na E.R.C. sob o nº 125290

Junho 2019 - Nº 140 - I Série - Algarve

Algarve

João Carlos Rodrigues Correia

Entrevista do Presidente da Junta de Freguesia de São Bartolomeu de Messines

João Carlos Rodrigues Correia

J.A. – Valorize o sector primário e o turismo dessa freguesia?
P.J. - O sector primário tem um grande valor nesta freguesia, uma vez que a agricultura é a sua principal atividade, sobretudo a produção de citrinos. Por sua vez a produção de Abacate tem vindo a aumentar nos últimos tempos, sendo o Algarve a zona de maior produção a nivel nacional. Nos nossos “Montes” temos mel, aguardente de medronho, licores de vários sabores e ainda os nossos frutos secos, figueiras, amendoeiras e alfarrobeiras.
Em relação ao turismo, este desenvolve-se mais em torno do alojamento local para o qual contribui a rota da Via Algarviana. Temos um vasto património cultural , a Igreja Matriz, várias ermidas, museu do Traje e das Tradições, Casa Museu João de Deus, os Menires, as Necrópoles, estas são apenas algumas das nossas riquezas. Devemos destacar a Semana Gastronómica, a Festa das Tradições, as comemorações do nascimento de João de Deus, a Festa do Caracol, o grupo de Teatro Penedo Grande, o cineteatro João de Deus, a Arte do Latoeiro e muito mais para conhecer.

J. A. – O aumento do desemprego gerou muita pobreza, como está essa freguesia a gerir esse problema?
P.J. - O desemprego nesta freguesia é sazonal, este aumenta na época baixa, uma vez que, uma percentagem significativa da população ativa trabalha na hotelaria, no entanto deve-se destacar que a empregabilidade aumentou com o desenvolvimento das zonas industriais adjacentes. O governo deverá olhar para estas zonas de baixa densidade com políticas de desenvolvimento sustentável.

J. A. – O que pensa sobre a violência doméstica, que ultimamente tem aumentado drasticamente no nosso país e qual a causa e efeito?
P.J. - A violência doméstica muitas vezes é silenciosa, o que me deixa muito preocupada.
As principais causas são a estrutura familiar, o stress, a aprendizagem social e as condições económicas que originam a baixa autoestima e a hostilidade.

J. A. – A delinquência infantil tanto no meio urbano como no escolar e neste momento uma infeliz realidade. Fale-nos sobre esta situação.
P.J. - A família em complementaridade com a escola desempenham um papel importante na formação cultural dos alunos, assim como, na formação do seu comportamento moral e social, além disso, o contexto socioeconómico desses alunos e a sociedade onde se inserem são fatores que contribuem para as suas acções/reações. O envolvimento da criança e do adolescente em atividades saudáveis e que explorem suas habilidades cria condições para o fortalecimento da sua auto-estima, e vínculo com o próximo. É importante que eles se destaquem pelos seus talentos e se sintam acolhidos pelo meio em que estão inseridos.

J. A. – O que pensa sobre a violência gratuita que se está a gerar na nossa sociedade?
P.J. - O individualismo e o egoismo são os principais causadores da violência gratuita, assim as minorias ficam mais expostas e menos compreendidas.

J. A. – Estando a população cada vez mais envelhecida e muita dela sem apoio familiar e recursos financeiros, que apoio presta a autarquia a esta realidade?
P.J. - A autarquia em colaboração com as associações locais que prestam apoio na área social, tem da melhor maneira apoiado sempre que necessário e temos tido muitos casos de sucesso de inclusão na sociedade. Temos casos sinalizados que acompanhamos em função das necessidades inerentes a cada um.

J.A.- Com a aproximação do tempo quente, Verão, que tipo de prevenção utilizada para minimizar danos como os que aconteceram em anos transactos?
P.J. - Neste momento visitamos as zonas mais isoladas e inseridas nas áreas de maior risco para sensibilizar a população para a limpeza das suas propriedades. Foi criada uma plataforma onde são registadas todas as queimas realizadas, todo este processo em sintonia com os Bombeiros e a Proteção Civil da Câmara Municipal de Silves.

J.A.- Que apoios têm recebido do governo para colmatar esse flagelo?
P.J. - A Junta de Freguesia concorreu ao Fundo Florestal Permanente e a nossa candidatura foi aprovada numa segunda fase, essa notícia foi recebida com muito agrado. Estamos agora no processo de concurso para podermos efetivar o quanto antes uma equipa de sapadores que vai ser uma mais valia para toda a freguesia. Pretendemos com essa equipa dinamizar acções de sensibilização, prevenção e silvicultura.

J. A. – Qual o maior problema com que essa freguesia se debate?
P.J. - O envelhecimento e a diminuição populacional é preocupante, uma vez que os jovens se deslocam para o litoral em busca de melhores condições de trabalho.

J. A. – Que outros problemas necessitam de maior intervenção?
P.J. - São Bartolomeu de Messsines é maior freguesia do Algarve, e uma das maiores do País, estende-se por uma vasta área, repartidos pelo barrocal e serra. A freguesia debate-se em muitos locais com a necessidade de repavimentação de caminhos e a ampliação de abastecimento de àgua e saneamento básico que eram financiados no quadro comunitário 2007-2013 e que a Cãmara que tinha responsabilidade, não executou o que leva a que os dias de hojeestejamos ainda com problemas nesta área. Contudo este executivo camarário tudo tem feito para minimizar este problema.

J. A. – Que perspectivas tem para o futuro da freguesia?
P.J. - A Freguesia tem condições para ter um futuro promissor, com fortes tradições , pois possuimos um grande património Natural e Cultural.

J. A. – Qual a mensagem que leva às mais variadas reuniões e eventos? E porquê investir nessa freguesia?

P.J. - A mensagem que levo é a de que Messines é uma terra de gente boa e trabalhadora, é a terra de João de Deus, que tem um tecido empresarial com uma dinâmica assinalável, e com potencial de desenvolvimento. Temos vários eventos socioculturais e desportivos ao longo do ano, para além de termos várias instituições, com as quais colaboramos ao longo do ano, que são bastante activas e criativas.
Devemos investir na freguesia de São Bartolomeu de Messines porque tem uma excelente localização geográfica e é de facil acessibilidade. Desfruta de uma posição privilegiada, pois fica localizada junto ao nó da A2 e ao IC1, que ligam o Algarve ao resto do País, temos duas Zonas Industrais atraentes e bem localizadas e dispomos de acessibilidade ferroviária. As taxas de IMI praticadas, assim como no resto do Concelho de Silves, são as taxas minimas e o imobiliário não sofreu a especulação de zonas mais próximas do mar, apresentando valores atrativos para os investidores.

J. A. – Como é a situação financeira dessa freguesia?
P.J. - A situação financeira da Freguesia está perfeitamente estável, os nossos orçamentos são realistas e com um bom grau de execução.
Devido ao tamanho da freguesia, mesmo com o aumento das verbas transferidas pela Câmara , as mesmas revelam-se ainda insuficientes para colmatar as necessidades que são da nossa responsabilidade.

J. A. – Qual o apoio que a Câmara presta às Juntas de Freguesia?
P.J. - Temos bastante apoio e cooperação por parte do Municipio de Silves, com o atual executivo da Câmara Municipal foram estabelecidos vários protocolos, nomeadamente a limpeza urbana, caminhos, cemitérios, mercados e jardins o que tornou possivel o aumento das verbas de modo significativo.

J. A. – Que mensagem quer enviar à população da sua freguesia?
P.J. - Os Messinenses contam com o nosso apoio, assim como a Junta de Freguesia pode contar com a população.

J. A. – Como consegue gerir a absorvente vida de autarca com a vida familiar?
P.J. - Nem sempre é facil conciliar, mas com o grande apoio que tenho por parte da minha família consigo gerir da melhor forma a situação, no entanto eu sou o rosto de uma equipa que trabalha em conjunto em prol da população.

J. A. – Que mensagem quer deixar ao Jornal das Autarquias?
P.J. - Que continuem o bom trabalho realizado até ao momento e que divulguem o que de melhor têm as nossas autarquias.

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