Entrevista do Presidente da Junta de Freguesia de São Bartolomeu de Messines

Carla Isabel Loureiro Viegas Benedito

J.A.- Qual a vossa opinião sobre a temática aeroporto/Montijo?
P.J.- Entendemos, sobre esta temática e sobre tudo o que é investimento público, que o mesmo só faz sentido quando é realmente necessário e quando o positivo se sobrepõe claramente ao negativo. Não nos parece que o aeroporto do Montijo seja um desses exemplos.

J.A. – Valorize o sector primário e o turismo dessa freguesia?
P.J.- O sector primário tem um grande valor nesta freguesia, uma vez que a agricultura é a sua principal atividade, sobretudo a produção de citrinos. Por sua vez a produção de Abacate tem vindo a aumentar nos últimos tempos, sendo o Algarve a zona de maior produção a nivel nacional. Na nossa “serra” temos mel, aguardente de medronho, licores de vários sabores e no nosso barrocal temos os frutos secos, figueiras, amendoeiras e alfarrobeiras.
Em relação ao turismo, este desenvolve-se mais em torno do alojamento local para o qual contribui a rota da Via Algarviana. Temos um vasto património cultural , a Igreja Matriz, várias ermidas, museu do Traje e das Tradições, Casa Museu João de Deus, os Menires, as Necrópoles, estas são apenas algumas das nossas riquezas. Devemos destacar a Semana Gastronómica, a Festa das Tradições, as comemorações do nascimento de João de Deus, a Festa do Caracol, o grupo de Teatro Penedo Grande, o cineteatro João de Deus, a Arte do Latoeiro e muito mais para conhecer.

J.A-O que pensa sobre a violência doméstica, e das medidas recentemente tomadas, contra este flagelo.
P.J.- As medidas tomadas no passado mês de Abril são positivas, mas têm que ser colocadas em prática com firmeza e duma forma constante. É uma vergonha, em pleno século XXI, o número de vítimas de violência doméstica, em Portugal.

J. A. – A delinquência infantil tanto no meio urbano como no escolar e neste momento um infeliz realidade. Fale-nos sobre esta situação.
P.J.- A família em complementariedade com a escola desempenham um papel importante na formação cultural dos alunos, assim como, na formação do seu comportamento moral e social, além disso, o contexto socioeconómico desses alunos e a sociedade onde se inserem são fatores que contribuem para as suas acções/reações. O envolvimento da criança e do adolescente em atividades saudáveis e que explorem suas habilidades cria condições para o fortalecimento da sua auto-estima, e vínculo com o próximo. É importante que eles se destaquem pelos seus talentos e se sintam acolhidos pelo meio em que estão inseridos.

J. A. – O que pensa sobre a violência gratuita que se está a gerar na nossa sociedade?
P.J.- O individualismo e o egoismo são os principais causadores da violência gratuita, assim as minorias ficam mais expostas e menos compreendidas. Estas situações são facilitadas pelo fácil acesso à Internet e a muitos conteúdos onde impera a violência, o ódio e os extremismos. Pensamos que terá que existir alguma regulação sobre os conteúdos mas também sobre os perfis falsos e anónimos que grassam nas redes sociais.

J. A. – Estando a população cada vez mais envelhecida e muita dela sem apoio familiar e recursos financeiros, que apoio presta a autarquia a esta realidade?
P.J.- A autarquia em colaboração com as associações locais que prestam apoio na área social, tem da melhor maneira apoiado sempre que necessário e temos tido muitos casos de sucesso de inclusão na sociedade. Temos casos sinalizados que acompanhamos em função das necessidades inerentes a cada um.

J.A.- O que acha das medidas tomadas pela DGS, para contenção do COVID-19?
P.J.- Entendemos que combater algo que não se conhece a 100% é extremamente complicado, sobretudo quando existe uma linha muito ténue entre a necessidade de evitar a propagação do vírus e a de impedir o colapso económico do país. Cabe a a cada um de nós cumprir com as recomendações, evitando uma rápida proliferação deste flagelo. De resto este é um desafio à escala mundial, comum a todos os países.

J.A.- Que apoios têm recebido do governo para colmatar esse flagelo, e qual o apoio dado às vitimas do mesmo?
P.J.- Os apoios recebidos são da parte do Município, com quem estamos a cooperar em estreita relação, da DGS e da Proteção Civil. Temos também a colaboração de associações locais como os Bombeiros Voluntários, a Casa do Povo, mas também a Caritas e o Banco Alimentar. Penso que, sobretudo, temos a sorte de viver numa freguesia com gente muito boa, e que gosta de ajudar, em que muitos particulares e empresas de distribuição doaram bens de primeira necessidade para que os mesmos cheguem a quem deles necessita, evitando situações de privação desses mesmos bens.

J. A. – Qual o maior problema com que essa freguesia se debate?
P.J.- O envelhecimento e a diminuição populacional é preocupante, uma vez que os jovens se deslocam para o litoral em busca de melhores condições de trabalho.

J. A. – Que outros problemas necessitam de maior intervenção?
P.J.- São Bartolomeu de Messsines é maior freguesia do Algarve, e uma das maiores do País, estende-se por uma vasta área, repartidos pelo barrocal e serra. A freguesia debate-se em muitos locais com a necessidade de repavimentação de caminhos e a ampliação de abastecimento de àgua e saneamento básico que eram financiados no quadro comunitário 2007-2013 e que a Cãmara que tinha responsabilidade, não executou o que leva a que os dias de hoje estejamos ainda com problemas nesta área. Contudo este executivo camarário tudo tem feito para minimizar este problema.

J. A. – Que perspectivas tem para o futuro da freguesia?
P.J.- A Freguesia tem condições para ter um futuro promissor, com fortes tradições , pois possuimos um grande património Natural e Cultural, para além de uma localização geográfica central, beneficiando da proximidade das maiores vias rodoviárias que ligam o Algarve ao resto do país.

J. A. – Qual a mensagem que leva às mais variadas reuniões e eventos? E porquê investir nessa freguesia?
P.J.- A mensagem que levo é a de que Messines é uma terra de gente boa e trabalhadora, é a terra de João de Deus, que tem um tecido empresarial com uma dinâmica assinalável, e com potencial de desenvolvimento. Temos vários eventos socioculturais e desportivos ao longo do ano, para além de termos várias instituições, com as quais colaboramos ao longo do ano, que são bastante activas e criativas.
Devemos investir na freguesia de São Bartolomeu de Messines porque tem uma excelente localização geográfica e é de facil acessibilidade. Desfruta de uma posição privilegiada, pois fica localizada junto ao nó da A2 e ao IC1, que ligam o Algarve ao resto do País, temos duas Zonas Industrais atraentes e bem localizadas e dispomos de acessibilidade ferroviária. As taxas de IMI praticadas, assim como no resto do Concelho de Silves, são as taxas minimas e o imobiliário não sofreu a especulação de zonas mais próximas do mar, apresentando valores atrativos para os investidores.

J. A. – Como é a situação financeira dessa freguesia?
P.J.- A situação financeira da Freguesia está perfeitamente estável, os nossos orçamentos são realistas e com um bom grau de execução.
Devido ao tamanho da freguesia, mesmo com o aumento das verbas transferidas pela Câmara, as mesmas revelam-se ainda insuficientes para colmatar as necessidades que são da nossa responsabilidade, pelo que o rigor da gestão de meios e verbas reveste-se de especial importância.

J. A. – Qual o apoio que a Câmara presta às Juntas de Freguesia?
P.J.- Temos bastante apoio e cooperação por parte do Municipio de Silves, com o atual executivo da Câmara Municipal foram estabelecidos vários protocolos, nomeadamente a limpeza urbana, caminhos, cemitérios, mercados e jardins o que tornou possivel o aumento das verbas de modo significativo e uma resposta mais célere aos problemas da população.

J. A. – Que mensagem quer enviar à população da sua freguesia?
P.J.- Os Messinenses contam com o nosso apoio, assim como a Junta de Freguesia pode contar com a população.

J. A. – Como consegue gerir a absorvente vida de autarca com a vida familiar?
P.J.- Nem sempre é facil conciliar, mas com o grande apoio que tenho por parte da minha família consigo gerir da melhor forma a situação, no entanto eu sou o rosto de uma equipa que trabalha em conjunto em prol da população.

J. A. – Que mensagem quer deixar ao Jornal das Autarquias?
P.J.- Que continuem o bom trabalho realizado até ao momento e que divulguem o que de melhor têm as nossas autarquias.

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