Entrevista do Presidente da Junta de Freguesia de Boliqueime

Nelson Joaquim Caetano Brazão

J.A.- Qual a vossa opinião sobre a temática aeroporto/Montijo?
P.J.- Tendo em conta a situação económica que o país atravessa, penso que este investimento não deveria ser para este momento. Dever-se-ia rentabilizar o aeroporto de Beja e investir nos acessos rodoviários e ferroviários. Este aeroporto pela localização serviria metade do país e daria um forte impulso económico ao Alentejo e também combateria a sua desertificação, porque com a criação de empregos traria mais pessoas para residir no Alentejo.

J.A. – Valorize o sector primário e o turismo dessa freguesia?
P.J.- Para a valorização do sector primário temos investindo fortemente na pavimentação dos caminhos de acesso aos terrenos agrícolas, promoção de formações para a valorização e enriquecimento do conhecimento dos agricultores. A cultura da alfarroba na freguesia é a que tem mais expressão e impacto económico, seguida da produção de citrinos. Temos vários industriais ligados a estes ramos na Freguesia, que fazem todo o seu tratamento e valorização dos produtos.
Esta freguesia devido à sua localização privilegiada entre a serra e o mar, proximidade de Vilamoura e Albufeira, expoentes do turismo algarvio, é bastante visitada pelos turistas, pelas paisagens deslumbrantes existentes, que permitem agradáveis passeios a pé e de bicicleta. A Igreja Paroquial de São Sebastião recentemente restaurada, exibindo lindos retábulos, bem como a Igreja de São Faustino, localizada no Cerro de São Faustino, com a particularidade da existência de uma balança onde as pessoas pagam as suas promessas, são locais bastante procurados por quem nos visita.
Somos servidos por dois hotéis, vários alojamentos locais e pensões.
É uma Freguesia em que os seus visitantes não dão o seu tempo como perdido.

J.A-O que pensa sobre a violência doméstica, e das medidas recentemente tomadas, contra este flagelo.
P.J.- A violência doméstica é algo que já não devia ter lugar na nossa sociedade e é um flagelo para quem o sofre. Penso que as medidas, tendo em conta o tipo de crime, deviam ser mais punitivas de forma a dissuadir a quem pensa praticá-las.

J. A. – A delinquência infantil tanto no meio urbano como no escolar e neste momento um infeliz realidade. Fale-nos sobre esta situação.
P.J.- Na nossa Freguesia a delinquência infantil não tem grande expressão, existindo apenas casos pontuais, normalmente cometidos contra bens públicos.

J. A. – O que pensa sobre a violência gratuita que se está a gerar na nossa sociedade?
P.J.- Em meu entender nós hoje vivemos a uma velocidade que o nosso corpo não está preparado! Não existe tempo para a família, amigos e o convívio em ambiente descontraído, tudo isto é necessário para o nosso bem estar psíquico. Penso eu que são estes os factores que levam a esse tipo de comportamento.

J. A. – Estando a população cada vez mais envelhecida e muita dela sem apoio familiar e recursos financeiros, que apoio presta a autarquia a esta realidade?
P.J.- Esta freguesia presta um serviço regular de transporte nos sítios que não têm acesso a transporte público, para que as pessoas possam vir à sede da Freguesia, nomeadamente aos serviços da Junta de Freguesia, Posto CTT, Centro de Saúde, Farmácia e ao comércio local.

J.A.- O que acha das medidas tomadas pela DGS, para contenção do COVID-19?
P.J.- As medidas tomadas são sempre discutíveis, mas na globalidade foram as necessárias. Esta foi uma realidade nova, não existe conhecimento sobre uma situação destas, hoje em dia a forma como uma doença deste género se pode propagar por todo mundo. A DGS e todas as outra entidades envolvidas tentaram dar o seu melhor e fizeram, e continuam a fazer tudo para que corra da melhor forma.

J. A. – Qual o maior problema com que essa freguesia se debate?
P.J.- Neste momento o maior problema da Freguesia e comum a muitas outras é a escassez de água.

J. A. – Que outros problemas necessitam de maior intervenção?
P.J.- Necessitamos de uma maior intervenção ao nível da criação de habitação, alargamento da rede de saneamento e infra-estruturas desportivas.

J. A. – Que perspectivas tem para o futuro da freguesia?
P.J.- Perspectivamos um futuro risonho os executivos da Freguesia e do Município estão empenhadíssimos em vários projectos para a Freguesia que vão melhorar bastante a qualidade de vida de toda a população.

J. A. – Qual a mensagem que leva às mais variadas reuniões e eventos? E porquê investir nessa freguesia?
P.J.- Primeiro que é bom viver e trabalhar em Boliqueime.
A localização geográfica de Boliqueime é a melhor razão para investir em Boliqueime. Estamos no centro do Algarve, após a saída da auto-estrada A2 em direção a Espanha, a primeira saída da Via do Infante, é para Boliqueime. A partir daqui é possível estar em Loulé, Quarteira/Vilamoura, Albufeira em dez minutos, Faro/Aeroporto em vinte e cinco minutos como se pode perceber é uma terra privilegiada. Para quem necessita de uma centralidade para o seu negócio Boliqueime é o melhor local para o implantar.

J. A. – Como é a situação financeira dessa freguesia?
P.J.- A situação financeira é estável. Mas como em tudo na vida desejaríamos ter mais ávido financeiro para podermos colmatar todas as necessidades dos fregueses.

J. A. – Qual o apoio que a Câmara presta às Juntas de Freguesia?
P.J.- Temos uma excelente relação com o executivo camarário. O Município está a negociar connosco a transferência de competências. Já temos, de alguns anos para cá, Contratos de Execução e Inter-administrativos e é com estes mecanismos que o Município nos apoia, para além de apoios pontuais para situações não previstas.

J. A. – Que mensagem quer enviar à população da sua freguesia?
P.J.- Quero dizer aos nossos Fregueses que podem contar com este executivo para trabalhar em prol da população e que envidará esforços para deixar a Freguesia com condições muito melhores do que quando cá chegou.
Estamos sempre disponíveis para ouvi-los e resolver os seus problemas.

J. A. – Como consegue gerir a absorvente vida de autarca com a vida familiar?
P.J.- Não é uma situação muito fácil, o Presidente tem de estar sempre disponível porque problemas e solicitações existem todos os dias e por vezes a família tem dificuldades em entender esta situação. Mas tento resolver sempre da melhor maneira, como diz o Povo, agradar a Gregos e a Troianos não é fácil.

J. A. – Que mensagem quer deixar ao Jornal das Autarquias?
P.J.- Quero primeiramente agradecer o vosso contacto e desejar as maiores felicidades para o jornal e continuem a prestar este serviço de informação com a dignidade com que o têm feito.
Forte abraço a todos e convido os leitores a visitarem Boliqueime.

Go top