Entrevista ao Presidente da Câmara Municipal de Faro

Rogério Bacalhau

J.A.- Qual a vossa opinião sobre a temática aeroporto/Montijo?
P.C.- Consideramos que o Aeroporto da Portela está esgotado e que é necessário encontrar uma solução. Sobre a sua localização não iremos pronunciar-nos, uma vez que se trata de jurisdição territorial de outros municípios.

J.A.- Valorize o sector primário e o turismo desse concelho?
P.C.- Faro é a capital administrativa do distrito, mas é também, tradicionalmente, uma terra de agricultura e pescas. O nosso solo, com a campina em destaque, é tido como um dos mais férteis do País e é adequado para o estabelecimento de diversos negócios que vão da fileira dos citrinos aos frutos vermelhos, abacate, aromáticas, tomate e outros. Hoje em dia, têm surgido cada vez mais empresas, tecnologicamente diferenciadas a dar um grande impulso nesta área que acarinhamos particularmente. Também as pescas e o marisqueio são pontos fortes da nossa economia local, ou não fosse Faro o centro da Ria Formosa e terra de homens e mulheres do mar. Quanto ao Turismo, pensamos que o nosso concelho é já um dos destinos mais interessantes do País pela sua versatilidade. Para além de óptimo destino de sol e praia, dispõe de inigualável património cultural e oferece as amenidades e vivência próprias de uma cidade moderna e cosmopolita.

J.A-O que pensa sobre a violência doméstica, e das medidas recentemente tomadas, contra este flagelo.
P.C.- As medidas tomadas são um sinal importante, mas é preciso combater todos os dias este flagelo, com todas as armas que estão ao nosso alcance. É preciso investir em mais sensibilização, em penas mais duras e na criação de serviços descentralizados de proximidade às famílias, no que penso que as autarquias poderão ajudar. Todos temos de estar alerta e sermos corajosos para denunciar este tipo de situações.

J.A.- Estando a população cada vez mais envelhecida, e muita dela sem apoio familiar e recursos financeiros, que apoio presta a autarquia a esta realidade?
P.C.- Desenvolvemos um conjunto de iniciativas junto da população mais idosa, em particular nas zonas rurais, em articulação com os nossos parceiros da rede social e com as autoridades. O sistema de teleassistência, que implementámos no ano transacto, tem sido muito importante para reforçar a sensação de segurança junto destas populações, assim como o cartão de apoio às compras de medicamentos (cartão ABÉM) e outros programas implementados pelo nosso Gabinete de Apoio ao Idoso. O maior problema é o isolamento, o abandono e os maus tratos. Todos temos o dever de ajudar os mais velhos. O Estado devia dar mais atenção a esta problemática e penso que devia mesmo ser constituída uma Comissão de Protecção de Idosos à semelhança da Comissão de Proteção de Crianças e Jovens (CPCJ).

J.A.- O que acha das medidas tomadas pela DGS, para contenção do COVID-19?
P.C.- Acompanhamos e implementamos no nosso território, procurando esclarecer o seu alcance junto da nossa população.

J.A.- Com a aproximação do Verão, que tipo de prevenção utilizada para minimizar danos como os que aconteceram em anos transactos?
P.C.- Articulámos com as autoridades de saúde, Marinha, ISN e freguesias, um dispositivo singular e que implicou um grande investimento da nossa parte. Colocámos nadadores-salvadores em todos pontos balneares de maior atracção, mesmo os não vigiados; investimos em equipamentos novos; adaptámos o espaço público, criando circuitos de circulação obrigatória e investimos muito em sensibilização e prevenção. Em resultado disso, pensamos que a época balnear se coroou de êxito no nosso concelho.

J.A.- Que apoios têm recebido do governo para colmatar esse flagelo, e qual o apoio dado às vitimas do mesmo?
P.C.- No âmbito da descentralização de competências, processo nem sempre conduzido com eficácia por parte do Governo, as autarquias foram chamadas a assumir novas responsabilidades. No caso da saúde, sector essencial que pouco ou nada tem melhorado nos últimos anos, infelizmente o processo de descentralização encontra-se parado. Apesar disso, Faro e outras autarquias não deixaram de estar ao lado das populações investindo alguns milhões de euros para apoiar a linha da frente e criar soluções de rectaguarda para isolamento de algumas comunidades.

J.A.-Qual o maior problema com que esse concelho se debate?
P.C.- Como disse há pouco, Faro é uma cidade cosmopolita e universitária, com presença periódica de membros de diversas comunidades e origens. Devemos ter uma atenção particular a essa circunstância.

J.A.-Que outros problemas necessitam de maior intervenção?
P.C.- Sistema de transportes e saúde.

J.A.-Qual a mensagem que leva às mais variadas reuniões e eventos? E porquê investir nesse concelho?
P.C.- Faro é uma capital regional em franco crescimento. O investimento em turismo é altamente reprodutivo e isso mede-se pelas elevadas taxas de ocupação e rentabilidade das nossas unidades hoteleiras – as mais altas do Algarve em termos de média anual. Somos uma cidade universitária e de investigação científica, o que vem trazendo para cá cada vez mais negócios tecnológicos que vão empregando cada vez mais população qualificada. Apostamos cada vez mais em mão de obra qualificada e empresas de base tecnológica. Para além disto, temos os atractivos de sempre: um sector primário fecundo, um património inigualável e um espaço público que vamos qualificando para que Faro se vá afirmando como grande comunidade litoral do Sul da Europa.

J.A.- A câmara municipal tem algum tipo de parcerias e protocolos com instituições de ensino? Em que áreas e como se desenrolam esses protocolos?
P.C.- Trabalhamos em parceria com toda a nossa rede social.

J.A.-Como é a situação financeira da autarquia?
P.C.- Depois de dez anos de recuperação financeira e da credibilidade da autarquia, seriamente abaladas no período anterior a 2010, a situação encontra-se estável, tendo já a autarquia a capacidade de fazer investimento reprodutivo no espaço público e de reposicionar o concelho em termos estratégicos.

J.A.-Qual o apoio que a câmara presta às juntas de freguesia?
P.C.- Temos quatro juntas de freguesia que assumiram um conjunto de competências no espaço público e que, por conseguinte, são apoiadas com o respectivo envelope financeiro e suporte logístico. Espaço público, caminhos, parques e jardins são algumas destas responsabilidades que as nossas juntas e as suas equipas têm assumido com esmero e excelentes resultados.

J.A.-Que mensagem quer enviar à população do seu concelho?
P.C.- Uma mensagem de ânimo. O povo Farense é corajoso e resistente. Com determinação e responsabilidade vamos saber ultrapassar esta conjuntura menos feliz e dar a volta por cima, mais fortes como comunidade. Sejam solidários e não se esqueçam dos mais velhos.

J.A.-Como consegue gerir a absorvente vida de autarca com a vida familiar?
P.C.- É um quebra-cabeças diário, que só um professor de matemática pode resolver. Como sou autarca e professor de matemática de carreira, vou tentando resolver a equação, infelizmente com resultados negativos para a vida familiar.

J.A.-Que mensagem quer deixar ao Jornal das Autarquias?
P.C.- Continuem o bom trabalho. Isto é serviço público que importa manter e valorizar.

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