Entrevista do Presidente da Junta de Freguesia de Rio de Moinhos

Francisco António Caeiro Rijo

J.A. – Valorize o sector primário e o turismo dessa freguesia?
P.J. -Ambos são importantes dadas as características geofísicas da freguesia.
Estamos situados em plena planície alentejana, no Alentejo central, onde a indústria e os serviços têm pouca expressividade.
O sector primário representa alguma empregabilidade à região em geral e à aldeia em particular. O turismo representa, neste momento, um fator de grande projeção para nós. Temos alguns empreendimentos turísticos, com elevada afluência. Num ano como este, marcado pelo medo, pela insegurança, face ao vírus covid, o Alentejo e as zonas rurais ganharam expressividade enquanto refúgio para os turistas.
Os nossos aldeamentos têm estado com uma significativa taxa de ocupação, fazendo assim rodar a economia local. É importante ainda no sentido em que projeta Rio de Moinhos para o país e para a Europa.

J.A-O que pensa sobre a violência doméstica, e das medidas recentemente tomadas, contra este flagelo.
P.J. -A violência doméstica é um crime público e que deve ser sempre denunciado.
Deverão sempre as situações ser avaliadas caso a caso, em função das especificidades de cada situação.

J. A. – A delinquência infantil tanto no meio urbano como no escolar e neste momento um infeliz realidade. Fale-nos sobre esta situação.
P.J. -É uma situação que infelizmente se vai agravando no dia-a-dia. Penso que cabe a nós, enquanto pais, tentar por todos os meios ao nosso alcance, inverter tal situação., para que no futuro, tal facto não possa tomar proporções mais alarmantes, a mal da nossa sociedade.

J. A. – Estando a população cada vez mais envelhecida e muita dela sem apoio familiar e recursos financeiros, que apoio presta a autarquia a esta realidade?
P.J. -Temos uma população duplamente envelhecida, tanto na base, como no topo da pirâmide etária, à semelhança do resto do país.
A minha conduta rege-se pelo serviço de proximidade. O orçamento autárquico não nos permite prestar apoios financeiros às situações sinalizadas e/ou conhecidas. Sempre que conheço um caso, faço a articulação com as equipas adequadas.

J.A.- O que acha das medidas tomadas pela Governo para contenção do COVID
P.J. -Acho que as medidas têm sido as adequadas embora, por muito que se faça, possa sempre parecer pouco pois todos os dias surgem novos factos :aquilo que hoje é uma realidade absoluta, amanhã é alvo de objeção.

J.A.- Devido à pandemia que se instalou no Mundo, originando falta de recursos na população, a todos os níveis, relate a situação na sua zona.
P.J. -Fomos uma população um pouco afetada por tal pandemia mas atualmente respiramos um pouco de forma mais aliviada. Tal situação não significa que podemos “baixar a guarda”. Devemos continuar a cumprir com o dever cívico de cumprir com as regras emanadas pela DGS.

J.A.- Que apoios têm recebido do governo para colmatar esse flagelo, e qual o apoio dado às vitimas do mesmo?
P.J. -A título informativo, recebemos orientações das entidades como a DGS, a Proteção Civil e outras.
A junta de freguesia apoia os seus fregueses através do serviço de proximidade. A título de exemplo podemos referir o apoio dado através das compras de bens de primeira necessidade (mercearia e farmácia), o fornecimento gratuito das fotocópias a todos os alunos da freguesia, em todos os escalões de ensino, entre outras medidas.

J. A. – Qual o maior problema com que essa freguesia se debate?
P.J. -Existem alguns. Geograficamente a sede de freguesia não é local de passagem para lugar nenhum. Quem nos visita, fá-lo pela atratividade que possamos dar. Englobamos aqui o turismo, a indústria do queijo e outras. Este povo caracteriza-se pela luta, situação que se traduz na quantidade de empresas de economia familiar que temos, face ao número de habitantes.

J. A. – Que outros problemas necessitam de maior intervenção?
P.J. -Cabem aqui os problemas relacionados com infraestruturas. A tão aclamada zona industrial que os nossos empresários solicitam, tendo que se deslocalizar para fora da freguesia ou até mesmo do concelho. A criação de mais zonas habitacionais. A não existência das mesmas levou ao êxodo dos nossos jovens, procurando alternativas fora da freguesia. Tudo isto contribui para o grave problema da desertificação…embora se comecem a notar pequenos sinais de mudança.

J. A. – Que perspectivas tem para o futuro da freguesia?
P.J. -Uma perspetiva positiva, dada a cumplicidade, união e sabedoria da nossa população.

J. A. – Qual a mensagem que leva às mais variadas reuniões e eventos? E porquê investir nessa freguesia?
P.J. -Levo mensagens a diferentes níveis. Somos uma freguesia que tem todas as condições para se desenvolver. Somos empreendedores, estamos localizados à beira da Serra D’Ossa que tem um potencial enorme. Excelentes produtos, como o queijo, o vinho e os enchidos, acompanhados da excelente gastronomia da terra.

J. A. – Como é a situação financeira dessa freguesia?
P.J. -A situação financeira é minimamente saudável. Contudo, vivemos com os problemas inerentes a este tipo de organismo, com orçamentos que dão, muitas vezes para o regular funcionamento, não nos permitindo almejar grandes investimentos.

J. A. – Qual o apoio que a Câmara presta às Juntas de Freguesia?
P.J. -A Câmara cumpre com o protocolo que tem estabelecido com a junta de freguesia. Contudo, a relação é saudável e aberta a todas as situações solicitadas por nós. Há uma relação estreita entre ambas as entidades e assim é que deve ser. Trabalhamos todos em prol de um bem maior.

J. A. – Que mensagem quer enviar à população da sua freguesia?
P.J. -Uma mensagem de fé e esperança. Estamos todos a atravessar um período muito difícil. Vem aí o Natal, período de união e fraternidade. Espero que o início de 2021 possa trazer uma vida nova a todos.

J. A. – Como consegue gerir a absorvente vida de autarca com a vida familiar?
P.J. -Não tem sido fácil, mas com boa vontade tudo se vai conseguindo.

J. A. – Que mensagem quer deixar ao Jornal das Autarquias?
P.J. -Uma mensagem de agradecimento e de continuidade. O jornal das autarquias permite-nos ter a oportunidade de dar a conhecer as nossas freguesias e as suas realidades.

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