JORNAL DAS AUTARQUIAS

Inscrito na E.R.C. sob o nº 125290

Julho 2019 - Nº 141 - I Série - Alentejo

Alentejo

Entrevista do Presidente da Junta de Freguesia de Mértola

Luís Miguel Martins Madeira Santos

J.A. – Valorize o sector primário e o turismo dessa freguesia?
P.J.- A Freguesia de Mértola ao nível do sector primário tem características semelhantes ao resto do concelho, a Câmara Municipal de Mértola e a Santa Casa da Misericórdia da Mértola são as entidades que mais empregam. Existem também pequenas empresas de âmbito familiar que criam também alguns postos de trabalho.
O setor do Turismo continua a crescer na Freguesia e Concelho, o número de visitantes sobe anualmente, movimentando o pequeno comércio, a restauração e hotelaria. Nos últimos anos tem existido uma aposta pública e privada neste setor.

J. A. – O aumento do desemprego gerou muita pobreza, como está essa freguesia a gerir esse problema?
P.J.- A Freguesia de Mértola e o Concelho apresentam valores de desemprego baixo, tem uma população maioritariamente reformada/aposentada, existindo neste momento falta de mão-de-obra qualificada para a procura existente. Os jovens quando terminam o ensino secundário, poucos são os que ficam por cá, seguem a via universitária, quando terminam o curso não regressam.

J. A. – O que pensa sobre a violência doméstica, que ultimamente tem aumentado drasticamente no nosso país e qual a causa e efeito?
P.J.- Como acontece pelo país, também em Mértola existe violência doméstica. É possível perceber que ainda se trata de algo cultural, da desvalorização do papel da mulher, assim como do consumo de álcool.
A Câmara Municipal de Mértola, em colaboração com as Juntas de Freguesia do concelho, estão cada vez mais sensibilizadas e preocupadas em combater esta realidade. São realizadas ações de sensibilização/prevenção/informação, com o objetivo de prevenir, informar, alterar mentalidades e erradicar esta problemática.

J. A. – A delinquência infantil tanto no meio urbano como no escolar e neste momento um infeliz realidade. Fale-nos sobre esta situação.
P.J.- As ações acontecem hoje em dia, em minha opinião, com tudo o que nos vai chegando através da televisão, dos jornais, internet. Na nossa área de intervenção, felizmente não são muitas as situações a apontar, talvez pelo facto de vivermos numa sociedade/realidade em que todos se conhecem, ajuda a prevenir esse tipo de situações, ou a resolvê-las de forma mais célere e eficaz.

J.A. – O que pensa sobre a violência gratuita que se está a gerar na nossa sociedade?
P.J.- É uma situação preocupante, os nossos jovens vivem hoje um período em que o acesso fácil a uma série de informação, maioritariamente através da internet, provoca a perda de valores, a comunicação e convivência em comunidade.

J. A. – Estando a população cada vez mais envelhecida e muita dela sem apoio familiar e recursos financeiros, que apoio presta a autarquia a esta realidade?
P.J.- A Freguesia de Mértola promove várias atividades com o objetivo de proporcionar a todos e a todas, momentos de convívio, participação, bem-estar e conhecimento. Temos atividades físicas, culturais, musicais, para a população em geral. Temos um apoio para os nascimentos de bebés, no valor de 500€, com o objetivo de fixar cada vez mais casais jovens.

J.A.- Com a aproximação do tempo quente, Verão, que tipo de prevenção utilizada para minimizar danos como os que aconteceram em anos transatos?
P.J.- São promovidas campanhas pela Câmara Municipal de Mértola e Centro de Saúde de Mértola, a qual a Freguesia de Mértola apoia e ajuda a divulgar.

J.A.- Que apoios têm recebido do governo para colmatar esse flagelo?
P.J.- Nenhum.

J. A. – Qual o maior problema com que essa freguesia se debate?
P.J.- O maior problema é o envelhecimento da população residente, a falta de apoios da parte do governo, o que dificulta a missão da Junta de Freguesia de Mértola. Sem recursos financeiros pouco mais podemos fazer.

J. A. – Que outros problemas necessitam de maior intervenção?
P.J.- São vários os problemas com os quais nos debatemos, todos eles ligados e/ou dependentes do governo central: as acessibilidades, a saúde, e sobretudo a falta de investimento público no interior do país, na nossa Freguesia e Concelho.

J. A. – Que perspectivas tem para o futuro da freguesia?
P.J.- Apresentámos uma série de medidas/propostas, que foram votadas e saíram vencedoras. O nosso objetivo passa por cumprir o que foi apresentado, criando e promovendo melhorias e mais condições de vida a todos e todas os/as residentes na Freguesia de Mértola.

J. A. – Qual a mensagem que leva às mais variadas reuniões e eventos? E porquê investir nessa freguesia?
P.J.- A Freguesia de Mértola tem um potencial patrimonial histórico muito rico, temos o rio, uma qualidade de vida de excelência e a maioria das localidades existentes na nossa freguesia tem boas condições para receber potenciais investidores.

J. A. – Como é a situação financeira dessa freguesia?
P.J.- A atualmente, a Junta de Freguesia de Mértola atravessa uma situação financeira satisfatória.

J. A. – Qual o apoio que a Câmara presta às Juntas de Freguesia?
P.J.- A Câmara Municipal de Mértola apoia consideravelmente. Temos competências atribuídas, alguns acordos de execução e contamos com apoio logístico sempre que precisamos, para a organização das nossas atividades.

J. A. – Que mensagem quer enviar à população da sua freguesia?
P.J.- A mensagem que quero deixar é que o executivo que lidero, pretende continuar a trabalhar em prol das pessoas da nossa Freguesia, com o objetivo de criar mais e melhores condições de vida a todos (as).

J. A. – Como consegue gerir a absorvente vida de autarca com a vida familiar?
P.J.- A vida de autarca, numa freguesia do interior, onde a dispersão é enorme, com fracos recursos financeiros, leva-nos a dar muito mais de nós, consumindo mais tempo, prejudicando diariamente a vida familiar.
É importante contar sempre com a compreensão e apoio familiar, apoio fundamental para realizar um bom trabalho autárquico.

J. A. – Que mensagem quer deixar ao Jornal das Autarquias?
P.J.- Agradeço o contacto e desejo as maiores felicidades para este projeto e para a possibilidade que proporciona aos autarcas na divulgação da sua área de intervenção e partilhar as suas dificuldades diárias.

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