Entrevista do Presidente da Junta de Freguesia de Foros de Arrão

José Manuel Esporeta

J.A. – Valorize o sector primário e o turismo dessa freguesia?
P.J.- A atividade económica na freguesia de Foros de Arrão, ao nível do sector primário, consiste essencialmente no desenvolvimento de atividades relacionadas com a silvicultura, a exploração florestal e a pecuária. Quanto ao turismo, é uma aposta que estamos decididos a fazer pois acreditamos que o futuro da freguesia pode também passar por aqui.

J.A. - O que pensa sobre a violência doméstica, e das medidas recentemente tomadas, contra este flagelo.
P.J.- A simples existência deste flagelo, seja qual for o seu âmbito ou o tipo de abuso praticado, é algo que devia envergonhar-nos enquanto sociedade. Como tal, concordo com todas as medidas que possam ser tomadas no sentido de garantir uma maior eficácia na proteção das vitimas e no sancionamento dos agressores.

J. A. – A delinquência infantil tanto no meio urbano como no escolar e neste momento um infeliz realidade. Fale-nos sobre esta situação.
P.J.- Na minha opinião, este problema tem de combater-se com uma aposta reforçada na educação e na integração mas também com a responsabilização dos jovens e das respetivas famílias. Penso que é neste domínio que temos falhado pois se é verdade que assinámos uma notável evolução coletiva desde a chegada da democracia, ficamos com a convicção que temos vindo a baixar o nível de exigência e responsabilização de cada cidadão, perante a sociedade e consequentemente perante o seu semelhante. Por outro lado, a existência de um cada vez maior número de famílias desestruturadas acaba também por empurrar muitos jovens para a delinquência.

J. A. – O que pensa sobre a violência gratuita que se está a gerar na nossa sociedade?
P.J.- Hoje em dia são grandes a facilidade, a rapidez e o alcance proporcionados pela utilização da internet na divulgação de qualquer mensagem por mais fútil ou falsa que seja. Assim, é cada vez mais fácil manipular e subverter opiniões que acabam por originar a radicalização de posições de muito boa gente e que pode descambar para a violência gratuita sobre a qual me questionou. De qualquer das formas, e como diz o povo, os bons exemplos devem vir de cima, pelo que entendo que compete à classe politica dar um forte sinal ao seu povo, comportando-se com ética, acabando com os privilégios de classe que são inacessíveis ao cidadão comum, e assumindo com firmeza o combate contra a promiscuidade, o compadrio e a corrupção que vão delapidando os recursos do nosso país. Acredito que isto seria meio caminho andado para combater a radicalização da sociedade, esvaziar o extremismo politico e a jusante diminuir a tentação do recurso à violência.

J. A. – Estando a população cada vez mais envelhecida e muita dela sem apoio familiar e recursos financeiros, que apoio presta a autarquia a esta realidade?
P.J.- A Junta de Freguesia de Foros de Arrão tem um longo histórico no que concerne ao apoio social que presta aos cidadãos que habitam na freguesia, sempre que tal lhe é solicitado. Se é verdade que não andamos a distribuir dinheiro pelas pessoas para as ajudar a pagar as suas despesas também não o é menos que procuramos encontrar soluções para todos os casos de pessoas ou famílias em maior dificuldade. Felizmente, o concelho de Ponte de Sor possui uma rede de parceiros que trabalha em conjunto para ultrapassar este tipo de situações. Começando pelo próprio Município, que se tem distinguido pelo investimento que vem efetuando nas estruturas de apoio social a idosos, e passando pelo restantes parceiros do CLAS concelhio. Por outro lado, também tenho de considerar apoio social todo o serviço prestado aos cidadãos pela Junta de Freguesia no tratamento do mais variado leque de assuntos para os quais nos é solicitada ajuda. Na verdade, e por mérito dos nossos serviços, há muito que a Junta de Freguesia é uma verdadeira Loja do Cidadão ao serviço da sua população.

J.A.- O que acha das medidas tomadas pela Governo para contenção do COVID-19?
P.J.- Concordo com a generalidade das medidas adotadas embora entenda que nalgumas ocasiões se poderiam ter antecipado algumas medidas, a cuja aplicação também faltou algum rigor. Também não compreendo muito bem como é que se foram abrindo tantas exceções para a realização de iniciativas ou eventos quando se pedia à população em geral para ficar confinada.

J.A.- Devido ã pandemia que se instalou no Mundo, originando falta de recursos na população, a todos os níveis, relate a situação na sua zona.
P.J.- Apesar desta realidade, e sabendo que a pandemia agravou as dificuldades de muitas famílias, de uma forma geral, em Foros de Arrão, ainda não estamos a ser particularmente penalizados pelas consequências da pandemia.

J.A.- Que apoios têm recebido do governo para colmatar esse flagelo, e qual o apoio dado às vitimas do mesmo?
P.J.- Na verdade, durante a pandemia estamos a receber do governo aquilo que já recebíamos não tendo havido, até à data, quaisquer apoios adicionais. Felizmente, até à data somente tivemos um caso positivo, já recuperado. Desde que tomámos conhecimento, colocámo-nos à disposição da pessoa doente para qualquer necessidade mas tal não se veio a verificar. Mas, em eventuais casos futuros, estamos prontos para dar todo o apoio possível, desde ir às compras ao supermercado ou à farmácia, por exemplo.

J. A. – Qual o maior problema com que essa freguesia se debate?
P.J.- Na verdade, e apesar de achar que muito falta fazer, penso que o nosso maior problema tem a ver com a incapacidade para fixar na freguesia a nossa massa critica. Se é verdade que os jovens têm de sair para frequentar o ensino superior é uma pena que não tenhamos as condições necessárias que permitam o seu regresso e fixação.

J. A. – Que outros problemas necessitam de maior intervenção?
P.J.- Para além do conjunto de situações que estamos em vias de ultrapassar, preocupa-nos a resolução do problema relacionado com a antiga EN367, atual Estrada de Coruche, que se encontra em avançado estado de degradação e que é uma via de extrema utilidade para a população da freguesia e não só.

J. A. – Que perspectivas tem para o futuro da freguesia?
P.J.- Perspetivo o futuro de Foros de Arrão como o de uma terra que vai gostar e saber receber todos aqueles que nos irão querer visitar e conhecer, honrando a sua ruralidade, e com vários pontos de interesse para conhecer. Também perspetivo e ambiciono uma freguesia cada vez mais cuidada e bonita e com pessoas!

J. A. – Qual a mensagem que leva às mais variadas reuniões e eventos? E porquê investir nessa freguesia?
P.J.- Acima de tudo, e tentando não ser repetitivo, procuro transmitir com clareza o ponto que queremos alcançar, o que ambicionamos conseguir. Nesse sentido vamo-nos batendo pelas peças que necessitamos para preencher o puzzle, sabendo no entanto que o caminho vai ser longo.
Investir nesta freguesia faz todo o sentido pela localização, pela qualidade de vida, pelas condições naturais e pela alma da nossa gente!

J. A. – Como é a situação financeira dessa freguesia?
P.J.- Estável e com défice zero.

J. A. – Qual o apoio que a Câmara presta às Juntas de Freguesia?
P.J.- O Município de Ponte de Sor é, sem dúvida, um parceiro fundamental para as Juntas de Freguesia do concelho e que, no nosso caso, nos ajuda a resolver a maior parte dos problemas. No entanto, seria muito positivo possuirmos uma maior autonomia e os consequentes recursos e equipamentos para procedermos à resolução de pequenos problemas do dia a dia com uma maior rapidez na resposta.

J. A. – Que mensagem quer enviar à população da sua freguesia?
P.J.- Face ao momento que estamos a viver, quero deixar uma palavra de apreço e reconhecimento pela forma responsável como a generalidade da população da minha freguesia se tem comportado relativamente à pandemia. Mas quero também deixar uma mensagem de confiança para o futuro. A pandemia vai ter de passar e nós vamos conseguir vencê-la se mantivermos ou aumentarmos o grau de responsabilidade com que temos lidado com ela. Por fim, aproveito também para deixar os meus votos de Boas Festas para todos, independentemente dos condicionalismos a que possamos vir a estar sujeitos.

J. A. – Como consegue gerir a absorvente vida de autarca com a vida familiar?
P.J.- Permita-me acrescentar à sua pergunta também a vida profissional! Apesar de não ser nada fácil conciliar estas três vertentes, vou tentando gerir a situação com algum equilíbrio embora entre a opção pelo chamamento do dever e a família acabe por ser esta a prejudicada.

J. A. – Que mensagem quer deixar ao Jornal das Autarquias?
P.J.- Antes de mais, agradeço a oportunidade. Gostaria também de vos desejar as maiores felicidades futuras e apresentar votos de Boas Festas para toda a vossa equipa e também para todos os leitores.

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