JORNAL DAS AUTARQUIAS

Inscrito na E.R.C. sob o nº 125290

Julho 2019 - Nº 141 - I Série - Alentejo

Alentejo

Entrevista do Presidente da Junta de Freguesia de Entradas

Ana Maria Carolina Guerreiro

J.A.- Que conclusões dos últimos resultados das eleições Europeias?
P.J.- A elevada percentagem de abstenção a nível nacional pode, em parte, ser entendida como perceção de que estas eleições não seriam verdadeiramente importantes e os portugueses não se sentiram mobilizados para ir às urnas.
Na nossa freguesia, apesar da abstenção, não se verificou nenhuma alteração no que respeita à força política mais votada que continua a ser a CDU.

J.A. – Valorize o sector primário e o turismo dessa freguesia?
P.J.- O setor primário (agricultura, restauração e emprego na industria mineira) é o setor mais importante nomeadamente nesta que é uma freguesia ainda com alguma ligação à agricultura e à terra.
No turismo, não sendo esta a principal fonte do desenvolvimento da freguesia, mas se considerarmos a restauração como atividade complementar da atividade turística e se considerarmos a reduzida população, podemos dizer que emprega um número considerável de pessoas.

J. A. – O aumento do desemprego gerou muita pobreza, como está essa freguesia a gerir esse problema?
P.J.- À semelhança do que se passa em todo o país, a nossa freguesia também atravessa alguns problemas de desemprego nomeadamente ao nível dos mais jovens, principalmente os que não têm qualificações e dos de meia-idade que tem dificuldades em encontrar trabalho.

J. A. – O que pensa sobre a violência doméstica, que ultimamente tem aumentado drasticamente no nosso país e qual a causa e efeito?
P.J.- O problema da violência, em particular da violência domestica, continua a ser um flagelo da nossa sociedade. Sendo considerado um crime publico, cabe a cada um de nós o papel de intervir na abordagem desta temática e investir na promoção do conhecimento das suas causas e dos caminhos que podem levar à sua extinção, bem como na ajuda, apoio e encaminhamento das vítimas.

J. A. – A delinquência infantil tanto no meio urbano como no escolar e neste momento um infeliz realidade. Fale-nos sobre esta situação.
P.J.- Felizmente essa realidade não tem um papel muito relevante na nossa freguesia.

J. A. – Estando a população cada vez mais envelhecida e muita dela sem apoio familiar e recursos financeiros, que apoio presta a autarquia a esta realidade?
P.J.- O apoio aos idosos da nossa freguesia é realizado em parceria com várias entidades e instituições locais e aplicado nas mais variadas áreas, que vão desde as atividades desportivas, organização de momentos de convívio, viagens de âmbito cultural, apoio e encaminhamento para realização de Cartão Social que tem benefícios e descontos nas despesas de farmácia e consumo de água. Tentamos ainda estabelecer uma relação de grande proximidade para que não se sintam sozinhos.

J. A. – Qual o maior problema com que essa freguesia se debate?
P.J.- Tratando-se de uma freguesia de interior, tal significa que temos todos os problemas inerentes à interioridade da região.
O envelhecimento da população e falta de investimentos do Poder Central para contrariar a desertificação e o despovoamento do interior do país será sem dúvida um dos principais problemas.
Sendo uma população cada vez mais envelhecida, a necessidade de criar meios para fixar cada vez mais os mais jovens é uma das principais preocupações.
Por outro lado, o baixo orçamento disponível é também um problema na nossa Freguesia.
Os cerca de 55.000 Euros que recebemos do Fundo de Financiamento das Freguesias é claramente insuficiente para fazer fase às necessidades pois impossibilita a realização de investimento (que poderia promover a fixação dos jovens) e a contratação de pessoal que é também uma das grandes necessidades e dificuldades com que nos deparamos.

J. A. – Que outros problemas necessitam de maior intervenção?
P.J.- Tudo o que esteja relacionado com o bem-estar da população é sempre motivo de preocupação e será sempre nesse sentido que se desenvolverá a nossa ação. Iremos continuar a investir nas pessoas e na promoção da qualidade de vida e nesse sentido, haverá uma constante necessidade de intervenção.
Enquanto houver pessoas, haverá necessidade de intervenção.
É, e será sempre nesse sentido que haverá atuação da nossa parte nas áreas da educação, cultura, desporto e economia dirigida às crianças, aos idosos ou à população em geral.

J. A. – Que perspectivas tem para o futuro da freguesia?
P.J.- Como sou uma pessoa “ confiante” e sempre à espera de dias melhores, perspetivo uma maior fixação de pessoas jovens na nossa freguesia, que tem tudo para dar qualidade de vida aos nossos filhos.

J. A. – Qual a mensagem que leva às mais variadas reuniões e eventos? E porquê investir nessa freguesia?
P.J.- Investir, seja naquilo que for é sempre um risco, mas considero que tal como aconteceu comigo, que aqui investi o meu futuro, os jovens não devem ter receio.
Entradas é uma freguesia rural, com uma identidade muito própria e singular, acolhedora, com ótima localização geográfica, qualidade de vida, segurança, e com um património natural ímpar.

J. A. – Como é a situação financeira dessa freguesia?
P.J.- Apesar de não dispor de verbas elevadas para que façamos grandes obras e investimento, a situação financeira da Junta são estáveis, sendo o prazo médio de pagamento a fornecedores inferior a 30 dias.

J. A. – Qual o apoio que a Câmara presta às Juntas de Freguesia?
P.J.- Contamos com a transferência de verbas da Câmara Municipal de Castro Verde ao abrigo dos acordos de delegação de competências, um pequeno apoio em investimento e apoio logístico sempre que necessário.

J. A. – Que mensagem quer enviar à população da sua freguesia?
P.J.- Deixo uma mensagem de esperança e de compromisso.
Reafirmo aqui o compromisso que assumido em outubro do ano 2017, um compromisso com Entradas e com os Entradenses.
Um compromisso assente na continuidade do trabalho até aqui desenvolvido com a honestidade e a competência que nos caracteriza.
Um compromisso de que estamos presente e de que podem contar connosco todos os dias.

J. A. – Como consegue gerir a absorvente vida de autarca com a vida familiar?
P.J.- Nem sempre é tarefa fácil, pois esta é uma função que absorve praticamente 24 horas por dia em prol do serviço público e da comunidade mas com o apoio, dedicação e empenho de toda a equipa que compõe o executivo e a assembleia de freguesia e com a grande compreensão e apoio familiar, tudo se concilia.
Quando a entrega e a dedicação a esta causa é feita de coração, tudo é mais fácil.

J. A. – Que mensagem quer deixar ao Jornal das Autarquias?
P.J.- Desejo-vos votos de muito sucesso e continuação do excelente trabalho prestado.

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