Entrevista do Presidente da Câmara Municipal de Castro Verde

António José Brito

J.A.- O turismo e o sector primário são valorizados nessa autarquia?
P.C.- Tendo em conta a riqueza deste território, recentemente classificado como Reserva Mundial da Biosfera pela UNESCO, onde se realiza a maior feira tradicional do sul do país, a secular Feira de Castro e onde poderemos descobrir as Terras da Batalha de Ourique, o setor turístico tem um potencial, no quadro do desenvolvimento económico do concelho, que não ignoramos. Todas estas características do nosso território são marcas identitárias que, sob o ponto de vista da promoção turística merecem uma estratégia integrada que as potencie e eleve ainda mais o nome de Castro Verde. É nisso que estamos a trabalhar afincadamente!

J.A-As medidas já tomadas pelo Governo contra a violência doméstica, serão suficientes para atenuar esse flagelo?
P.C.- Julgo que esse é um flagelo cujo o combate nos convoca a todos: Governo, autarquias locais, e sociedade civil de um modo geral. Creio que temos vindo, nos últimos anos a assistir a alguns avanços no que toca à mitigação do problema, mas é necessário irmos mais longe, pois trata-se de algo estrutural no nosso país.

J.A.- Que recursos financeiros necessitam as populações mais enfraquecidas (a vários níveis) nessa autarquia?
P.C.- A Câmara Municipal de Castro Verde procura ter uma política social constante e que dê respostas a todos níveis no que toca à população mais vulnerável do nosso concelho. São exemplos disso os apoios aos estudantes carenciados e que frequentem o ensino superior, bem como o transporte gratuito desses mesmos alunos para a estação de comboios da Funcheira. Outras medidas como o cartão social do Município, que visa  apoiar cidadãos ou agregados familiares, que se encontrem em situação comprovada de carência socioeconómica, a usufruir de bens e serviços que garantam uma melhoria das condições de vida, ou a Habitação Social em regime de arrendamento apoiado para agregados em dificuldades económicas, são  também importantes mecanismos de politicas sociais que dão resposta aos nossos munícipes.

J.A.- O que pensa sobre as medidas tomadas pelo governo sobre o Covid 19 e sua vacinação?
P.C.- Creio que os números falam por si! Fomos dos primeiros países do mundo a imunizar a população de risco e a criar essa robusta barreira de proteção que nos confere a vacina e que nos permite hoje encarar a pandemia com outro conforto. No que respeita às medidas de combate à Covid-19, julgo que foram adequadas à situação absolutamente excecional que vivemos e que, nunca nenhum de nós tinha testemunhado. Nesse quadro, julgo que os políticos de um modo geral souberam estar à altura.

J.A.- Que medidas pensa tomar durante este novo mandato?
P.C.- O nosso foco vai centrar-se, sobretudo, na retoma das nossas atividades que tinham ficado estagnadas por via da pandemia, isto no plano socio-cultural e turístico. Por outro lado, iremos continuar a trabalhar para apetrechar o concelho das infraestruturas há muito necessárias para o bem-estar da nossa população. Iremos concluir as obras em curso da Zona de Atividades Económicas e da Escola Secundária e iniciaremos outras no âmbito do plano estratégico de reabilitação urbana (PEDU). A requalificação da Estrada entre Castro Verde e Casével, bem como a Centro de transportes de Castro Verde serão outras ações para avançar.

J.A.- que problemas mais prementes necessitam de intervenção rápida nessa autarquia?
P.C.- Os problemas de Castro Verde são, de um modo geral, os problemas de qualquer território do interior do país: o despovoamento cada vez mais acelerado e a falta de meios para responder estrategicamente a esse desafio. Por muito boa vontade que as autarquias locais tenham, e acredite que têm, o problema demográfico só pode ser combatido com uma aposta clara por parte do Governo central na sua génese. No caso do nosso concelho há outros problemas locais que nos preocupam e para os quais estamos atentos, como a necessidade de continuarmos a requalificar a rede de águas e, como disse, a Estrada Municipal que liga a sede de concelho à Freguesia de Casével.

J.A.-Como está a situação financeira da autarquia neste novo mandato?
P.C.- Nunca escondemos de ninguém que a situação atual exige a máxima prudência por parte do executivo municipal! Neste momento continuamos a devolver o imposto de Derrama à autoridade tributária, sendo que desde 2017 o Município de Castro Verde já devolveu mais de 2,6 milhões de euros, por via de acertos de contas entretanto detetados. Não negamos que esta situação nos aflige sobremaneira! Mas vamos continuar, com determinação, a trabalhar diariamente, dentro da realidade que encontrámos, para cumprirmos o nosso programa eleitoral.

J.A.-A câmara presta apoio às juntas de freguesia?
P.C.- A Câmara, por via dos contratos interadministrativos, acordos de execução e de protocolos de investimento, vai prestar um apoio ao longo do ano de 2022 a todas as Freguesias do concelho na ordem dos 569.364 euros. No caso particular dos acordos para investimento, as Freguesias rurais – Entradas, Santa Bárbara de Padrões e São Marcos da Ataboeira – recebem cada uma 37.500€ e a União de Freguesias de Castro Verde e Casével, pela sua dimensão, englobando duas freguesias, receberá 45.000€. Trata-se, portanto, de um enorme esforço financeiro do Município para apoiar e financiar a atividade das nossas freguesias no serviço diário que prestam aos seus fregueses.

J.A.-Que mensagem quer transmitir à população da sua autarquia
P.C.- A Câmara Municipal é uma instituição próxima de todas as pessoas do concelho de Castro Verde e pretende dar continuidade ao atual modelo de gestão com o  contributo de todos. Iniciámos um ciclo novo em 2017, que introduziu novas dinâmicas e uma renovada energia na gestão do Município. A partir daí foi possível encontrarmos soluções para problemas antigos e descobrirmos novos horizontes para a construção de um melhor futuro para cada um de nós. Vamos continuar, com humildade, mas fazendo avançar Castro Verde, com confiança e muita resiliência face aos desafios que encontramos.

J.A.- O Jornal das Autarquias existe desde 2007! Quer deixar-nos a sua opinião sobre o trabalho do mesmo?
P.C.- É um trabalho que, honestamente, me parece de grande valia e importância na divulgação da atividade das autarquias locais. É preciso, pois, dar-lhe continuidade, pelo que formulo votos de um excelente trabalho para o futuro!

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