Entrevista do Presidente da Câmara Municipal de Campo Maior

Luís Fernando Martins Rosinha

J.A.- O turismo e o sector primário são valorizados nessa autarquia?
P.C.- O turismo é, neste momento, um dos principais vetores para o desenvolvimento do nosso concelho. Nos últimos anos fizemos um forte investimento na recuperação do nosso património histórico, com destaque para a intervenção realizada na Fortificação Abaluartada de Campo Maior e na Capela dos Ossos, que brevemente estará disponível para visita. De igual forma, temos vindo a criar novos espaços de cariz turístico, como são o caso do Centro Interpretativo da Fortificação Abaluartada, em funcionamento desde julho de 2021, o Espaço Arte, inaugurado em abril de 2021 e o Centro Interpretativo das Festas do Povo, cuja abertura está para breve.
Com todos estes investimentos, o Município está a criar as condições para que o turismo no nosso concelho seja um setor de sucesso, capaz de criar riqueza para a comunidade e de atrair novos investimentos que gerem emprego e fixem população.

J.A-As medidas já tomadas pelo Governo contra a violência doméstica, serão suficientes para atenuar esse flagelo?
P.C.- A violência doméstica é um problema que, infelizmente, parece não ter fim. Devemos apostar cada vez mais na formação, desde terna idade, para tentar erradicar esta situação da nossa sociedade. Poder trabalhar com os jovens, em contexto escolar ou extracurricular, será fundamental para criar as bases de uma comunidade em que a violência doméstica não tenha lugar.

J.A.- O que pensa sobre as medidas tomadas pelo governo sobre o Covid 19 e sua vacinação?
P.C.- O que aconteceu com esta pandemia é algo para o qual ninguém estava preparado. Dificilmente alguém poderia imaginar o cenário que todos vivemos durante estes dois anos. Dito isto, parece-me que Portugal, no seu todo, governo central, autarquias, sociedade civil e população, reagiu de uma forma fantástica a este problema. Evidentemente que houve situações que poderiam ter sido geridas de outra forma, mas no meio do caos, considero que fomos capazes de dar as respostas necessárias no tempo correto e prova disso são os resultados que fomos alcançando e que nos permitiram ultrapassar as dificuldades.

J.A.- Que medidas pensa tomar durante este novo mandato?
P.C.- Uma das nossas prioridades é efetivar a Área de Acolhimento Empresarial, no âmbito do Plano de Recuperação e Resiliência.
É um projeto totalmente diferenciador para a região, uma vez que em todo o Alentejo apenas Campo Maior e Beja tiveram os seus projetos financeiramente aprovados. E em termos de investimento é a maior do Alentejo e 2ª maior a nível nacional.
O Projeto da Área de Acolhimento Empresarial de Campo Maior vai permitir dinâmicas diferentes naquilo que diz respeito ao investimento no nosso território, apesar de sermos já um concelho com uma componente industrial e uma mentalidade industrial muito forte, com uma série de empresas consolidadas, das quais se destacam a Delta Cafés e a Hutchinson, Borrachas de Portugal. Mas aquilo que me parece mais importante neste momento, e tendo em conta as notícias mais recentes, é a criação de uma comunidade de energia renovável que vai permitir a venda de energia a um preço mais acessível, e que será claramente um fator diferenciador na ponderação do investimento que um empresário possa vir a fazer.
Assim, destes 15,2 milhões de euros cerca de 10 milhões de euros focam-se nesta comunidade de energia renovável.
Para além deste projeto e dentro daquilo que foram as nossas propostas eleitorais para estes quatro anos há um vetor essencial que é uma aposta forte no Turismo. De facto, há um trabalho já realizado claramente turístico, com a requalificação dos nossos museus, a requalificação da nossa Capela dos Ossos, a criação de dois centros interpretativos (Centro Interpretativo da Fortificação Abaluartada e Centro Interpretativo das Festas do Povo (ainda por inaugurar)), a requalificação da fortificação de Campo Maior e de Ouguela, a própria requalificação dos espaços interiores do Castelo. Campo Maior começa a ter um leque muito diversificado de turismo, que até há bem pouco tempo era praticamente inexistente. E começamos já a sentir uma evolução nesse sentido.
Mas o nosso caminho está também direcionado para a questão industrial, para a criação de emprego e para fixação de jovens. O Centro de Inteligência Competitiva é muito isso. Aquilo que padronizamos para este equipamento é que seja criado um centro tecnológico, que permita que se consiga fazer, desde Campo Maior, trabalhos ao nível do tratamento e análise de dados. Ou seja, vamos ter uma antiga escola primária adaptada num Centro de Inteligência Competitiva, onde queremos ter recursos humanos altamente qualificados à disposição de todos os empresários do Alentejo para que, numa primeira fase, seja feita a caracterização de mercados e de consumidores dos produtos endógenos do Alentejo. Desta forma começamos a abrir outros horizontes e a olhar para outras questões que podemos vir a incorporar dentro do Centro de Inteligência Competitiva por forma a dar-lhe uma amplitude ainda maior. Mas a preocupação continua a ser, porque há sempre uma preocupação subjacente, a fixação e criação de emprego. No caso do CIC, o objetivo é criar e/ou captar recursos humanos altamente qualificados, que irão funcionar muito bem num edifício altamente tecnológico.
No turismo a aposta vai ter que continuar porque começamos agora a colher os frutos de todo o trabalho realizado nestes últimos anos. E quando tivermos o museu das festas, acreditamos que vá também contribuir para a fixação e criação de emprego.

J.A.- que problemas mais prementes necessitam de intervenção rápida nessa autarquia?
P.C.- O caminho a seguir é o de efetivar os projetos que estão em desenvolvimento e colocá-los à disposição dos campomaiorenses e de quem nos visita, o mais breve possível. Esse é o objetivo mais premente. Seja um projeto turístico, como o Centro Interpretativo das Festas das Flores, como um projeto industrial como a ampliação da Zona Industrial ou a Área de Acolhimento Empresarial.

J.A.-Como está a situação financeira da autarquia neste novo mandato?
P.C.- A saúde financeira atualmente está relativamente boa e continuamos em crescendo, que é também fruto da própria economia do concelho. O nosso orçamento atual é de 14,8 milhões de euros.

J.A.-A câmara presta apoio às juntas de freguesia?
P.C.- O concelho de Campo Maior é pequeno em área e tem apenas 3 juntas de freguesia, duas urbanas e uma rural, e o apoio que o Município lhes presta é essencial ao seu funcionamento. No que diz respeito à freguesia rural, Nossa Senhora da Graça dos Degolados, diria mesmo que é indispensável porque a dotação financeira que dispõe não é suficiente para fazer face às necessidades da população que serve.
No caso das freguesias urbanas, que dispõem de recursos financeiros um pouco mais substanciais, o apoio acaba por acontecer de forma mais pontual, em projetos de maior envergadura e em questões de logística e meios humanos e técnicos.

J.A.-Que mensagem quer transmitir à população da sua autarquia
P.C.- Aproveito esta oportunidade para saudar todos os munícipes e transmitir-lhes uma mensagem de esperança para o futuro. Depois de mais de dois anos de muitas dificuldades, começamos, a pouco e pouco, a ver a luz ao fundo do túnel e a regressar à normalidade possível no pós-pandemia. Da nossa parte, quero deixar a certeza de que estamos a trabalhar em prol do desenvolvimento do nosso concelho e da qualidade de vida da nossa comunidade.
Vamos continuar a desenvolver projetos e iniciativas que contribuam ativamente para que as gentes do concelho de Campo Maior possam viver melhor. Queremos criar as condições para que os nossos jovens possam voltar à sua terra depois de terminada a sua formação académica. Atrair novos investimentos, que gerem postos de trabalho capazes de dar resposta a uma geração cada vez mais preparada é um dos nossos principais objetivos.

J.A.- O Jornal das Autarquias existe desde 2007! Quer deixar-nos a sua opinião sobre o trabalho do mesmo?
P.C.- Divulgar o trabalho dos autarcas em todo o país é fundamental e o Jornal das Autarquias tem desempenhado um papel importantíssimo nessa área.
Infelizmente, a comunicação social nacional continua muito focada nos grandes centros urbanos e as questões locais são, muitas vezes, esquecidas. Poder contar com um meio que se preocupa com o todo nacional é muito importante para dar a conhecer os fantásticos projetos que se vão desenvolvendo um pouco por todo o país e que contribuem ativamente para melhorar a vida das populações.
Por isso mesmo, desejo o maior sucesso ao Jornal das Autarquias na sua missão de informar e divulgar o que de melhor se faz em Portugal.

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