Entrevista à Presidente da Câmara Municipal de Arraiolos

Sílvia Cristina Tirapicos Pinto

J.A.- Valorize o sector primário e o turismo desse concelho?
P.C.-A Câmara Municipal de Arraiolos defende um desenvolvimento integrado do concelho onde o papel do setor primário é importante na defesa do montado e da valorização dos produtos endógenos. Esta perspetiva não é incompatível com a existência de um fluxo turístico que possa usufruir da qualidade de vida que temos, e, sobretudo que possa conhecer a nossa história, o nosso artesanato, o nosso património e a nossa gastronomia, preservando um mundo rural que precisa da agricultura e de pessoas para sobreviver. Temos condições para um desenvolvimento integrado, lugar para a agricultura, a indústria e o artesanato, fortalecendo e dinamizando a economia local também com os produtos regionais e o Tapete de Arraiolos.

J.A-O que pensa sobre a violência doméstica, e das medidas recentemente tomadas, contra este flagelo.
P.C.-A violência doméstica é um assunto que continua na ordem do dia pelas piores razões. Sabemos que existe em todos os estratos sociais, que está presente em todo o país e que todos os dias destrói famílias, destroça a vida de muitas crianças e devasta a vida de muitos homens e mulheres. É um assunto muitas vezes ignorado e muito grave na nossa sociedade.
Na Câmara Municipal temos participado na sensibilização e na área social, onde se enquadram a realização de ações de formação sobre a questão da violência doméstica e a forma de atuar dos diversos serviços.
Têm sido tomadas iniciativas legislativas de proteção às vitimas que são importantes, mas infelizmente insuficientes para ultrapassar situação.

J.A.- Estando a população cada vez mais envelhecida, e muita dela sem apoio familiar e recursos financeiros, que apoio presta a autarquia a esta realidade?
P.C.-A autarquia tem ações municipais regulamentadas para apoio aos idosos, nomeadamente, o “cartão sénior”, um programa de apoio para recuperação de habitações degradadas e a “oficina solidária”, através dos quais responde a solicitações dos mais idosos.
Promove o programa “Viver Sénior” que integra um vasto conjunto de iniciativas direcionadas a este setor da população, tendo como objetivo dinamizar atividades vocacionadas para proporcionar qualidade de vida aos idosos e promover o envelhecimento ativo.
Desenvolve ainda a autarquia uma política de apoio financeiro e material com os diversos parceiros – Misericórdias, IPSS, Associações de Reformados – .

J.A.- O que acha das medidas tomadas pela Governo para contenção do COVID-19?
P.C.-As medidas são as possíveis num contexto muito difícil do ponto de vista social e económico. Devemos manter uma postura de colaboração com as entidades de saúde de forma a atingirmos resultados na contenção do COVID-19.
Nestes tempos de maior dificuldade acreditamos na capacidade de resposta positiva de todos, continuando a Câmara Municipal de Arraiolos a apoiar as populações e a dinamizar as ações necessárias, para que o concelho possa superar o atual quadro imposto pela pandemia.
Devemos valorizar o Serviço Nacional de Saúde pelo profissionalismo e eficácia demonstrados e pelo papel vital que está a desempenhar, deixando evidente a necessidade de reforçar e alargar a sua capacidade de intervenção.
Como é evidente o reforço do Serviço Nacional de Saúde, dotando de meios suficientes para garantir os cuidados de saúde aos portugueses é fundamental.

J.A.- Devido à pandemia que se instalou no Mundo, originando falta de recursos na população, a todos os níveis, relate a situação na sua zona.
P.C.-Tem existido uma preocupação constante de apoiar e acompanhar a população quer através da distribuição de equipamentos de proteção individual quer na divulgação das medidas que devemos observar.
Há uma colaboração com as diversas entidades e o acompanhamento e disponibilização de transporte, entrega de medicamentos e alimentos aos estratos de maior vulnerabilidade, bem como nos casos de pessoas infetadas e respetivas famílias.

J.A.- Que apoios têm recebido do governo para colmatar esse flagelo, e qual o apoio dado às vitimas do mesmo?
P.C.-Tem existido uma ação positiva de colaboração no âmbito da proteção civil municipal.
A Câmara Municipal procuramos garantir uma informação de proximidade com a população, distribuir material de proteção individual. Foram criados mecanismos de apoio com entrega domiciliaria de bens alimentares.
Em estreita colaboração com a Autoridade de Saúde, a Segurança Social e a Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil, procedeu-se à criação de espaços no concelho para servir de retaguarda e apoio às Estruturas Residenciais para Pessoas Idosas, em caso de necessidade de deslocação temporária de utentes.

J.A.-Qual o maior problema com que esse concelho se debate?
P.C.-Atualmente o maior problema é a situação decorrente da pandemia. Os sinais de retoma económica desapareceram dando lugar à incerteza e a dificuldades sociais e económicas cuja dimensão é ainda uma incógnita.

J.A.-Que outros problemas necessitam de maior intervenção?
P.C.-A situação que referi decorre da gravidade da paragem da atividade económica nos diferentes setores.
É fundamental que o Governo possa afetar recursos para reforçar os meios das IPSS, garantir o emprego, dinamizar o investimento público e apoiar as pequenas empresas confrontadas com a redução ou mesmo a cessação forçada da sua atividade, alargar os apoios sociais, nomeadamente a quem perdeu o seu salário, assegurar meios de subsistência aos portugueses e dotar o Serviço Nacional de Saúde dos meios que respondam à situação que vivemos.

J.A.-Qual a mensagem que leva às mais variadas reuniões e eventos? E porquê investir nesse concelho?
P.C.-A Câmara Municipal afirma a sua determinação para intervir, desenvolver e modernizar o concelho e a disponibilidade para apoiar projetos que respondam a este desafio.
Nós queremos um concelho melhor no ensino, na área social, na saúde, na promoção da cultura e do desporto, no turismo ou na captação de novos investimentos e no desenvolvimento económico, na defesa do ambiente e na proteção civil, e esse caminho será feito na colaboração permanente com o movimento associativo, com as entidades locais, com os agentes económicos, com as instituições sociais e na proximidade com as populações.

J.A.- A câmara municipal tem algum tipo de parcerias e protocolos com instituições de ensino? Em que áreas e como se desenrolam esses protocolos?
P.C.-A Câmara Municipal presta apoio aos estabelecimentos de ensino em áreas diversas e também com atividade de apoio às famílias.
Existem responsabilidades próprias da autarquia que assumimos por inteiro – ação social escolar, transportes escolares e manuais escolares - .
Nós sempre defendemos um relacionamento de proximidade e colaboração com as intituições do concelho. É o que fazemos nesta área.

J.A.-Como é a situação financeira da autarquia?
P.C.-A situação financeira da autarquia é boa se considerarmos o cumprimento rigoroso que fazemos na gestão orçamental.
Porém os meios financeiros são insuficientes para o desenvolvimento do concelho e para a concretização de muitos projetos necessários na ação municipal.
Existe uma asfixia financeira das autarquias e que atenta contra a sua autonomia.
Nós defendemos contas claras, competência e honestidade na gestão. Mas é preciso um financiamento correspondente às necessidades das populações.

J.A.-Qual o apoio que a câmara presta às juntas de freguesia?
P.C.-A Câmara Municipal prepara o seu Plano de Atividades auscultando as Juntas de Freguesia. Desta auscultação resulta um levantamento de situações concretas a que, conjuntamente, se vai dar resposta, através de protocolos de execução, acordos e contratos interadministrativos, na limpeza urbana, na recolha de resíduos ou no pagamento de taxas e serviços .
Esta forma de execução conjunta de obras ou de outras iniciativas permite que o apoio dado seja regular e assumido na prossecução da atividade autárquica como a entendemos na resolução dos problemas das populações.

J.A.-Que mensagem quer enviar à população do seu concelho?
P.C.-Que contam com a Câmara Municipal de Arraiolos.
Que a autarquia, na área da sua competência, continuará a dar o seu contributo para minimizar problemas e potenciar soluções.

J.A.-Como consegue gerir a absorvente vida de autarca com a vida familiar?
P.C.-Gerir neste caso é sobretudo dar cumprimento ao compromisso assumido com a população. A prática de um trabalho coletivo na autarquia é muito importante concretizar objetivos e encontrar soluções. No plano pessoal é contar com o pilar fundamental: o apoio familiar.

J.A.-Que mensagem quer deixar ao Jornal das Autarquias?
P.C.-Formulo votos de bom trabalho e êxito na vossa missão de informar.

Go top