Setembro 2020 - Nº 155 - I Série - Açores

Entrevista ao Presidente da Câmara Municipal de Vila do Porto

Carlos Henriques Lopes Rodrigues

J.A.- Qual a vossa opinião sobre a temática aeroporto/Montijo?
P.C.- Vemos a primeira questão como um tema de grande importância para o país embora não tenhamos uma opinião formada sobre o assunto. Achamos que é urgente aumentar a oferta para a receção de mais aviões tendo em conta, principalmente, o fator segurança.

J.A.- Valorize o sector primário e o turismo desse concelho?
P.C.- No concelho de Vila do Porto o sector primário centra-se basicamente em duas vertentes: a pesca e agropecuária. Sendo que a agropecuária tem um peso muito considerável na economia da Ilha de Santa Maria porque centra a sua ação na criação de gado para produção de carne e que é exportado vivo e em carcaça ao longo de todo o ano. No que diz respeito ao turismo, não foge à regra da restante da Região Autónoma dos Açores embora ainda com muita margem de crescimento e dependente das acessibilidades.

J.A-O que pensa sobre a violência doméstica, e das medidas recentemente tomadas, contra este flagelo.
P.C.- Obviamente condenamos todo e qualquer tipo de violência, neste caso a violência doméstica. Na nossa opinião, e concretamente no nosso concelho, não se registam os números próximos da média nacional embora também aconteça por cá. As medidas recentemente tomadas não são de âmbito municipal embora tratando-se de uma ilha da dimensão da nossa, com menos de 6000 habitantes, facilmente se entenderá que o município está e estará presente em tudo o que se passa e passará.

J.A.- Estando a população cada vez mais envelhecida, e muita dela sem apoio familiar e recursos financeiros, que apoio presta a autarquia a esta realidade?
P.C.- Esta autarquia tem um papel bastante ativo e preponderante no acompanhamento da população mais envelhecida através de várias vertentes. Começando por ter em atividade o “Grupo Sénior de Santa Maria” onde lhes é facultada a possibilidade de se encontrarem vários dias por semana e terem acesso a inúmeras atividades desde a atividade física até às angariações de fundos que realizam para, de dois em dois anos, lhes ser facultada a possibilidade de realizarem uma viagem de lazer. É ainda disponibilizado, a toda a população sénior da ilha, “Cartão do Idoso”, na cor verde e azul, que lhes dá a possibilidade de ter algumas benesses ao nível de utilização de espaços municipais e melhores condições no acesso a alguns produtos disponibilizados no mercado local, sendo que o Cartão Azul é atribuído a pessoas com menos recursos e que lhes permite terem acesso a outros tipos de apoio, nomeadamente no apoio para a aquisição de medicamentos, apoio para o passe social e ainda a possibilidade de se candidatarem ao Apoio à Habitação Degradada para a melhoria das condições de habitabilidade das suas habitações. Finalizando ainda no que concerne à parte dos apoios, temos ainda disponível a “Oficina à Porta do Idoso” projeto criado para rapidamente efetuar pequenas reparações e melhoria das acessibilidades das suas habitações.

J.A.- O que acha das medidas tomadas pela DGS, para contenção do COVID-19?
P.C.- No nosso caso específico, seguimo-nos pela Dir4eção Regional da Saúde, e que de uma forma geral estamos de acordo com todas as medidas tomadas em prol do bem comum.

J.A.- Com a aproximação do Verão, que tipo de prevenção utilizada para minimizar danos como os que aconteceram em anos transactos?
P.C.- – As medidas tomadas tiveram mais a haver com a situação do COVID-19 porque as restantes foram as habituais atendendo à época que se aproxima.

J.A.- Que apoios têm recebido do governo para colmatar esse flagelo, e qual o apoio dado às vítimas do mesmo?
P.C.- Não entendemos a questão e a que flagelo se referem. Mas podemos referir que de uma forma geral, e no que diz respeito ao apoio do Governo Regional dos Açores, podemos afirmar que o apoio a esta autarquia ao longo dos últimos 11 anos foi quase nulo.

J.A.-Qual o maior problema com que esse concelho se debate?
P.C.- O maior prolema com que o concelho de Vila do Porto se debate, e certamente semelhante aos outros do interior do país e das restantes ilhas do Arquipélago dos Açores, é essencialmente a falta de emprego, principalmente para mão de obra qualificada e de formação superior e que permitiria fixar a maioria dos jovens que se ausentam da ilha para estudar e que depois não regressam por falta de oportunidades de emprego. As acessibilidades à ilha também carecem de uma análise profunda no sentido procura da melhoria.

J.A.-Que outros problemas necessitam de maior intervenção?
P.C.- Acreditamos que é necessária uma maior disponibilização de Fundos Comunitários que permitisse às Autarquias da Região Autónoma dos Açores uma maior intervenção nas necessidades mais prementes, principalmente na melhoria das vias de comunicação (estradas)

J.A.-Qual a mensagem que leva às mais variadas reuniões e eventos? E porquê investir nesse concelho?
P.C.- A mensagem que habitualmente levo, aonde me é permitido intervenção, é de que somos uma Ilha segura, bonita, com um povo ordeiro e acolhedor onde é possível investir, morar e passar férias em segurança. Dispomos de quatro baías de excelência, somos a única ilha dos açores com fósseis, e que temos um dos melhores Aeroportos do país com capacidade e disponibilidade para serem desenvolvidas inúmeras atividades à volta dessa infraestrutura.

J.A.- A câmara municipal tem algum tipo de parcerias e protocolos com instituições de ensino? Em que áreas e como se desenrolam esses protocolos?
P.C.- Já tivemos vários protocolos e parcerias com a Universidade dos Açores na realização de diversos eventos, somos o principal sponsor e parceiro da Escola Básica e Secundária de Santa Maria, patrocinamos anualmente a ida do melhor aluno de cada ano (do 10º, 11º e 12º ano) à Academia de Verão da Universidade de Aveiro e apoiamos ainda mais de vinte alunos que frequentam o ensino superior através da atribuição de Bolsas de Estudo.

J.A.-Como é a situação financeira da autarquia?
P.C.- A situação financeira da Câmara Municipal de Vila do Porto é estável. Temos aproveitado os Fundos Comunitários disponíveis para investimento e todos os anos temos renovado o nosso quadro de pessoal com contratos por tempo indeterminado.

J.A.-Qual o apoio que a câmara presta às juntas de freguesia?
P.C.- Além do apoio financeiro que prestamos através da Delegação de Competências às nossas cinco Juntas de Freguesia que anda à volta 265 mil euros por ano, prestamos ainda todo o apoio logístico e material sempre que nos é solicitado e dentro das nossas disponibilidades.

J.A.-Que mensagem quer enviar à população do seu concelho?
P.C.- Quero dizer que continuem a acreditar na sua ilha principalmente aos mais jovens que lutem sempre todos os dias na procura do melhor para a sua ilha reivindicando e provando aos governantes que é possível fazer mais e melhor.

J.A.-Como consegue gerir a absorvente vida de autarca com a vida familiar?
P.C.- Eu como vim da vida empresarial não me foi muito difícil a adaptação. A minha família já estava adaptada à absorvente vida de um empresário pelo que foi só transpor para vida de autarca. Importa referir que só me mantive nesta missão porque sempre tive o apoio da minha família.

J.A.-Que mensagem quer deixar ao Jornal das Autarquias?
P.C.- Em primeiro lugar agradecer a oportunidade e desejar para que continuem a dar voz, principalmente às Autarquias que não têm meios nem poder para andarem na comunicação social todos os dias.

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