Setembro 2020 - Nº 155 - I Série - Açores

Entrevista ao Presidente da Câmara Municipal de São Roque do Pico

Mark Anthony Silveira

J.A.- Qual a vossa opinião sobre a temática aeroporto/Montijo?
P.C.-É extremamente importante ultrapassar a sobrelotação do Aeroporto Humberto Delgado. O desenvolvimento dos Açores e, particularmente da ilha do Pico, assenta em boas acessibilidades ao exterior. Por isso, é fundamental criar condições para que um aeroporto em Lisboa consiga garantir ligações ao Pico e ao Mundo sem constrangimentos.

J.A.- Valorize o sector primário e o turismo desse concelho?
P.C.-São dois setores fundamentais para a economia de São Roque do Pico. O setor primário está desde sempre associado aos residentes no concelho e tem uma enorme relevância. O turismo surge mais recentemente como a mola impulsionadora de uma nova economia. Não é por acaso que São Roque do Pico é detentor da marca registada ‘Capital do Turismo Rural’, que tem contribuído para a projeção do concelho no exterior, captando fluxos turísticos e consequentemente mais valias económicas.

J.A-O que pensa sobre a violência doméstica, e das medidas recentemente tomadas, contra este flagelo.
P.C.-Essa é uma questão que nos preocupa diariamente e para a qual estamos muito atentos. Atuamos sempre que somos confrontados com esse tipo de violência e o nosso Gabinete de Ação Social está disponível para atender a qualquer suspeita.

J.A.- Estando a população cada vez mais envelhecida, e muita dela sem apoio familiar e recursos financeiros, que apoio presta a autarquia a esta realidade?
P.C.-Essa faixa etária é uma das nossas maiores preocupações. Ao abrigo do ‘Cartão 60+’ a população senior residente em São Roque do Pico pode beneficiar de descontos na tarifa de água e nas taxas de recolha e tratamento de resíduos sólidos urbanos, bem como de apoios na aquisição de medicamentos. Além disso, o Município disponibiliza um serviço gratuito de acompanhamento dos residentes com mais de 60 anos, sem apoio de retaguarda, a consultas de rotina e a tratamentos médicos. Procedemos, também, a pequenas reparações habitacionais.

J.A.- O que acha das medidas tomadas pela DGS, para contenção do COVID-19?
P.C.-Num cenário extremamente difícil o processo tem sido bem conduzido e as medidas tomadas têm sido eficazes, com as intervenções a serem gradualmente melhoradas fruto da aprendizagem obtida para lidar com este vírus.

J.A.- Que apoios têm recebido do governo para colmatar esse flagelo, e qual o apoio dado às vítimas do mesmo?
P.C.-As Câmaras não têm recebido apoios governamentais para combater a covid-19. Aliás, o Governo da República e o Governo Regional dos Açores assumiram a liderança desse combate. Mesmo assim, o Município de São Roque do Pico criou um conjunto de medidas para apoiar a população residente e as empresas, tais como a redução da tarifa da água nos meses de março, abril e maio; a isenção de um conjunto de entidades e pessoas coletivas do pagamento da recolha de Resíduos Sólidos Urbanos nos meses de abril, maio e junho e, o nosso Gabinete de Ação Social, esteve no terreno durante os meses de confinamento a ajudar os idosos e a população mais vulnerável sem apoio de retaguarda na aquisição e entrega ao domicílio de medicamentos e produtos de mercearia. Mais recentemente procedemos à distribuição de máscaras e desinfetante, com o objetivo de proteger ao máximo a nossa população mais idosa.

J.A.-Qual o maior problema com que esse concelho se debate?
P.C.-A falta de população residente é a nossa maior dor de cabeça. Temos criado condições para cativar a fixação de mais pessoas e o último registo aponta para um ligeiro crescimento no número de habitantes. No entanto, não estamos totalmente satisfeitos e continuamos a trabalhar em várias frentes com o objetivo de criar condições que contribuam para a fixação de mais população, sobretudo de casais jovens.

J.A.-Que outros problemas necessitam de maior intervenção?
P.C.-As acessibilidades e, particularmente, as marítimas merecem uma intervenção eficaz e urgente. A falta de condições no Porto de São Roque do Pico é um problema que se prolonga há alguns anos, mas temos a garantia do Governo Regional e da Portos dos Açores de que estão a ser dados passos concretos e seguros para, em breve, se ultrapassar essa questão. São Roque do Pico é um dos vértices do Triângulo composto pelas ilhas do Pico, Faial e São Jorge e, por isso, é fundamental dispor de boas acessibilidades marítimas para estimular a circulação de pessoas entre essas ilhas.

J.A.-Qual a mensagem que leva às mais variadas reuniões e eventos? E porquê investir nesse concelho?
P.C.-Nesta fase de pandemia tentámos sempre transmitir uma mensagem de confiança nas autoridades de saúde e de confiança num futuro melhor. Este tem sido um momento diferente e complicado, mas todos unidos e com o máximo de cuidado, vamos ultrapassar esta dificuldade. É, no entanto, necessário que todos estejam em estado de alerta constante e que não desarmem nesta luta contra um inimigo invisível.
São Roque do Pico é um concelho atrativo e estamos a criar um parque empresarial e uma incubadora de empresas para acolher investimento que aqui se queira instalar. Quem quiser investir em São Roque do Pico tem boas perspetivas de retorno. Da nossa parte estamos sempre disponíveis para acolher novos investidores e para colaborar na fixação de novas empresas.

J.A.- A câmara municipal tem algum tipo de parcerias e protocolos com instituições de ensino? Em que áreas e como se desenrolam esses protocolos?
P.C.-Apoiamos a Escola Básica e Secundária de São Roque do Pico mediante um protocolo anual no valor de 15.300 euros para dinamizar atividades culturais, desportivas e recreativas. Além disso, nesta fase de pandemia, apoiámos aquela Escola na aquisição de equipamentos informáticos que foram entregues aos alunos de famílias carenciadas durante o período em que as aulas decorreram no regime não presencial.

J.A.-Como é a situação financeira da autarquia?
P.C.-É uma situação estável e equilibrada.

J.A.-Qual o apoio que a Câmara presta às juntas de freguesia?
P.C.-Estão em vigor Acordos de Execução e Contratos Interadministrativos com as cinco juntas de freguesia do concelho que asseguram a transferência anual de 138 mil euros. Esses apoios permitem às juntas de freguesia gerir a manutenção de espaços verdes; a limpeza das vias, dos espaços públicos, sarjetas e sumidouros; e proceder à manutenção reparação e substituição do mobiliário urbano de cada uma das freguesias

J.A.-Que mensagem quer enviar à população do seu concelho?
P.C.-Envio sobretudo uma mensagem de confiança no futuro. Estamos a desenvolver um conjunto de projetos em todas as freguesias para proporcionar maior qualidade de vida aos residentes e cativar novos investimentos. Além disso, queremos estar próximos de todos os munícipes. A Câmara está e estará sempre disponível para colaborar e apoiar dentro do possível todos os que residem ou pretendam residir em São Roque do Pico.

J.A.-Como consegue gerir a absorvente vida de autarca com a vida familiar?
P.C.-Devido às exigências que se colocam diariamente é extremamente difícil conciliar essas duas vertentes. A vida familiar acaba muitas vezes por ficar prejudicada devido ao volume de compromissos enquanto Presidente de Câmara. No entanto, poder ajudar os munícipes de São Roque do Pico e contribuir para o desenvolvimento do concelho é muito gratificante.

J.A.-Que mensagem quer deixar ao Jornal das Autarquias?
P.C.-Este é um excelente instrumento de divulgação do que as autarquias desenvolvem. Felicito o Jornal das Autarquias pelo trabalho realizado e espero que continue a promover as diferentes zonas do país, divulgando os projetos e anseios de cada câmara e concelho.

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